Galeria Vermelho traz duas individuais

A Galeria Vermelho mostra até o dia14 as investigações de Odires Mlászho e Paulo d´Alessandro, emduas exposições individuais que estão em profunda sintonia,ambas investigando questões bastante caras à pesquisacontemporânea, como a fragmentação de imagens e a sobreposiçãode tempos e espaços distintos. Além da obra dos dois artistas,também podem ser vistos na Vermelho - inaugurada recentementecom um time de artistas de primeira qualidade - um pouco dapesquisa recente desenvolvida por Lia Chaia e Edouard Fraipont. Mlászho ocupa o térreo com a mostra A PalidezIluminada. Dependente, como ele próprio diz, dos títulossugestivos, ele indica com essa associação um tanto quantocontraditória entre a luz e a falta de viço, de vida, a oposiçãoentre luz e sombra explorada nas duas séries de trabalhos expostos no local. A primeira delas, intitulada Um Animal Farejando teuSono (em substituição ao nome original Que a Terra te SejaLeve, abandonado por ser talvez excessivamente explícito) lidacom o mundo fantasmagórico das imagens do passado, que sãorecobertas com ervas naturais e parafina derretida. É inevitávela associação com a idéia de lápide, de algo fraturado pelotempo. As figuras usadas são conhecidas, foram retiradas delivros (apropriação recorrente na trajetória do artista), mas asreferências precisas foram sendo apagadas. Assim, Bethoveentransforma-se no anônimo Sr. B. A segunda série, Mortal Coil, vai no sentido oposto,explora o caráter luminoso e físico (a imagem parece sair dopapel) de objetos totalmente despretensiosos, mas que assumem umaspecto quase que de jóia: pedaços usados de sabonete. Se lá aquestão é sombra e ocultamento, aqui é luz, explica ele. Restacomo fio condutor a idéia do desafio, do mistério e dasobreposição, questões retomadas de forma totalmente diferentepor d´Alessandro. Em vez da metafísica e da poesia, d´Alessandro utiliza alinguagem da fotografia para investigar a fragmentação, aincapacidade de conciliação que marca o mundo moderno. Por meiode um sofisticado processo de criação e montagem, em que submeteseus filmes a diferentes sobreposições de imagens e cortesabruptos, ele constrói verdadeiros quebra-cabeças que parecem umretrato do processo das profundas fraturas que marcam associedades modernas. Nos trabalhos da atual exposição todas as imagens tratamde cenas relacionadas à construção e à destruição, em diferentescidades do mundo (mais precisamente Pompéia, Roma, São Paulo eBrasília). O mais impressionante é a dificuldade que oespectador tem de identificar o que está sendo retratado e onde,numa visão ácida e crítica dos supostos benefícios daglobalização. Serviço - Paulo d´Alessandro, Odires Mlászho, Lia Chaiae Edouard Fraipont. De terça a sexta, das 17 às 23 horas; sábado das 13 às 19 horas. Galeria Vermelho. Rua Minas Gerais, 35, SãoPaulo, tel. 3257-2033. Até 14/9

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