Gal leva emoção a Nova York

Cantora foi ovacionada ao final do show no Carnegie Hall, na quinta

Francisco Quinteiro Pires, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2011 | 00h00

"Meu segredo e minha revelação. Minha bússola e minha desorientação." Quando cantou os versos de Minha Voz, Minha Vida (Caetano Veloso), a primeira música do show no Carnegie Hall, Gal Costa resumiu sua trajetória artística. Filha de uma geração que sonhava, ela chegou sem ilusões à maturidade. Soube lidar com a própria voz, cuja sensualidade e clareza têm resistido à passagem do tempo. Em se tratando de Gal, como diz outro verso, extraído de Força Estranha (Caetano), "a vida é amiga da arte".

Nas 20 composições interpretadas anteontem, Gal, de 65 anos, transitou por diferentes gêneros. Cantando obras que cobrem a carreira de mais de quatro décadas, ela se mostrou primorosa no balanço entre técnica e emoção. Acompanhada pelo violonista Luiz Meira, Gal optou pelo intimismo, "perfeito para a acústica do Carnegie Hall", como disse ao Estado antes do show. "Esse espetáculo não tem nada que seja irreverente ou experimental. Sou só uma cantora fazendo um show mais clássico", cujo repertório se parece com Gal Costa Live at The Blue Note, disco gravado em 2006.

Gal recebeu muitos aplausos durante a sessão bossa nova da noite. Chega de Saudade, Wave, Desafinado e Garota de Ipanema fizeram sucesso entre a plateia que lotou o local. Com elas, a cantora homenageou o "seu guru, seu deus", João Gilberto.

Em 1985, Gal Costa fez no Carnegie a sua estreia norte-americana. Artistas brasileiros costumam se apresentar em outros lugares de Nova York antes de chegar à lendária casa de espetáculos. Esse é um passo importante para o lançamento da carreira nos EUA. "Mas não me preocupei com isso, porque sempre tive capacidade de ser internacional." Diz ter vontade de gravar em inglês, "língua que adora, apesar de não falar tão bem". No Carnegie, ela arranhou o idioma, despertando risos no público.

Novo disco em "construção". O show de voz e violão apresentado em Nova York tem as mesmas características do que foi assistido por Caetano Veloso em Portugal. Na ocasião, ele revelou o desejo de compor obras inéditas para a Gal. "Caetano é o compositor que faz as melhores músicas para mim", ela disse. Segundo Moreno Veloso, um dos produtores, o disco ainda não tem nome. "Ele está com as bases quase todas prontas", contou ao Estado.

Embora goste muito de computador, Gal está cumprindo a promessa de abandonar o Twitter após provocar polêmica em janeiro. Nascida na Bahia, ela foi criticada por ter chamado os baianos de preguiçosos. "Descobri que é preciso tempo para o Twitter e que não sei lidar com intolerância nem grosseria", afirmou. "Existe um charme em volta dessa história, até o Dorival Caymmi falava nisso (na preguiça dos baianos)." Ela mantém o perfil do Facebook. A sua grande preocupação, afirma, é transmitir aos fãs bons sentimentos. E assim foi no Carnegie Hall, onde o público a ovacionou.

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