Gal declara amor por São Paulo e contagia público

Cantora fez uma bela homenagem aos 50 anos da Bossa Nova, que, para ela, foi uma virada na música brasileira

Adriana Carranca, de O Estado de S. Paulo,

26 de abril de 2008 | 23h42

Entre às 19h37, quando  Cesaria Evora terminou sua apresentação, e às 21 horas, quando Gal Costa surgiu, o palco da São João ficou praticamente vazio e o público dispersou-se pelos bares e restaurantes do centro. Quando Gal iniciou o seu show com a música Eu Vim da Bahia, o público voltou para perto do palco e, em instantes, lotou novamente a São João até a famosa esquina com a Avenida Ipiranga, ficando quase que impossível transitar pela larga via. Foi o show da noite que tirou o público do chão.  Veja também: Fãs vêm até de outros Estados para conferir shows da Virada Imagens da Virada Cultural 2008 Luiz Melodia faz releitura de 'Pérola Negra' na Virada Cultural Confira todas as atrações e faça sua programação Quer se programar? Veja dicas dos principais eventos Na periferia, Mautner é herói, e no centro Vanguart vibraApós queima de fogos, Cesaria Evora dá início à Virada Cultural Gal subiu ao palco simpática e extremamente sorridente. Cumprimentou São Paulo, saudou o público e falou sobre a Virada Cultural. "A gente está aqui falando de Virada. E eu cortei o meu cabelo, o que é uma virada que a gente dá para a gente mesmo e para as outras pessoas. Hoje é uma noite de virada!", empolgou-se a baiana. Em uma noite de virada, Gal fez uma bela homenagem aos 50 anos da Bossa Nova, que foi, segundo ela, uma virada para a música brasileira. Cantou duas canções de Tom Jobim e Chega de Saudade, de João Gilberto. Nesse momento, levou o público ao delírio. As pessoas cantavam tão alto que Gal ficou em silêncio, lançando palavras ao ar para embalar o público que seguia à frente da música.  Gal era só simpatia. Sambou, dançou frevo. Cantou London, London. Levantou do chão pessoas de todas as idades. Havia um judeu ortodoxo, com roupa social, chapéu e com os típicos cachos em cada lado da face, eufórico no primeiro andar do Hotel Hollywood. Ele pulava, sambava com os braços para cima, bem em frente ao palco de Gal. Dona Arminda Gomes Maior, de 85 anos, e o marido, Armindo Maior, de 88, que moram na esquina da São João com a Ipiranga há 35 anos e são casados há 65, foram ver Gal de perto em sua primeira Virada Cultural. No ano passado, eles assistiram aos shows da janela do apartamento onde moram no 18º andar. "Dessa vez, eu ameacei vir sozinha. Ele não é muito de festa. Eu é que adoro dançar", disse dona Arminda, que chegou a ensaiar passos tímidos com um grupo de jovens bem animados que encontrava espaço para dançar no gargalo do palco e não parava de gritar "linda, maravilhosa" para Gal. Um jovem no meio do público fez uma proposta indecente à cantora. Em um recorte de jornal, improvisou a mensagem: "Gal, dorme comigo?" E, histérico, implorava: "Só uma noite..." Ela leu o cartaz e simplesmente sorriu.  Gal saiu de cena às 22h10, mas não resistiu ao "mais um, mais um" do público e voltou ao palco com Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, e Sampa, um hino de São Paulo, compostos por Caetano Veloso. Gal terminou o show, emocionante, com o seguinte verso: "E novos baianos te podem curtir numa boa. E os velhos baianos também. Te amo, São Paulo." A apresentação acabou às 22h20 sem incidentes, segundo a Polícia Militar. Refugiados Antes de Gal subir ao palco da São João, houve apenas uma atração de cerca de 30 minutos - um grupo de músicos do Congo que se refugiaram no Brasil, conheceram-se no centro de São Paulo e fundaram o Nkanda Wa Mp Wa Mpa, que signifca "boa notícia" no idioma Kicongo. Nesse período, pela primeira vez na Virada Cultura, tocaram música tradicional gospel africana.

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