Gabriel Villela deixa direção do TBC

Gabriel Villela está deixando a direção artística do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Faz um mês que o diretor enviou ao empresário Marcos Tidemann, financiador das obras de restauração do novo TBC, uma carta de demissão. Seu contrato com o teatro, que vence no próximo dia 31, não será, portanto, renovado. Villela deixa a direção do TBC antes de completar a montagem da trilogia de musicais de Chico Buarque, com a Companhia Estável de Repertório do TBC. Na última quarta-feira, Villela disse com exclusividade à reportagem ter se desgastado como artista, premido pela necessidade de "administrar problemas e divergências 14 horas do dia". "Meu único compromisso no mundo é com a criação", salientou.O diretor foi convidado por Tidemann para assumir o posto em março de 2000. Em um ano, o diretor criou uma companhia estável de repertório e deu início às montagens dos musicais de Chico Buarque, começando com Ópera do Malandro (temporada encerrada no último domingo), seguido do infanto-juvenil Os Saltimbancos, que estreou no último sábado. As estréias de Gota d´Água e Calabar haviam sido agendadas para junho deste ano e primeiro semestre de 2002, respectivamente. "O desligamento de Villela da função de diretor artístico do TBC não impede que ele assuma a encenação de Gota d´Água", aventou Tidemann. Segundo o empresário, os direitos para a montagem desse musical já foram liberados. A produção resultará de uma parceria entre o TBC e a Tom Brasil. Nesse caso, segundo Villela, parte do elenco da Companhia Estável de Repertório, criada para a montagem da Ópera do Malandro, com alguns atores integrando também Os Saltimbancos, "teria oxigênio até outubro, mais ou menos, quando termina a temporada do espetáculo"."A idéia de dirigir Gota d´Água, tendo um diretor de produção com a tarimba do Paulo Amorim me agrada", comentou Villela, em resposta ao convite do empresário e ciente da parceria Tidemann-Amorim. "O que quero é estar fechado com o teatro, com os atores de um espetáculo", ressaltou Villela. O diretor também tem engendrado compromissos internacionais, como as turnês dos espetáculos Romeu e Julieta, e Rua da Amargura pela Europa. Este último também está sendo adaptado pela TV Globo, para transformar-se em especial da Sexta-Feira Santa, com direção de Paulo José. "Estou participando da roteirização do texto", adiantou.Tidemann disse que as portas continuam abertas para o encenador. Também ressaltou que o maior legado da gestão Villela foi "deixar no TBC a imagem de um projeto sério". "Ele trouxe neste um ano os melhores nomes, contatos e projetos", salienta. Sobre os novos rumos do teatro, Tidemann foi cauteloso. "Ainda estamos estudando possibilidades, mas provavelmente abriremos o teatro para projetos de vários diretores", antecipou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.