Futuro da TV é a "interatividade"

Estadão - Como surgiu a idéia do livro de entrevistas e qual será seu título? José Bonifácio de Oliveira Sobrinho - A atriz Vida Alves, minha amiga, sugeriu que eu escrevesse um livro sobre a televisão brasileira, mas eu achei a idéia muito formal. Pensei, então, em colher 50 depoimentos de profissionais que têm, com o seu trabalho, feito a história da televisão brasileira ao longo destas cinco décadas que estamos este ano comemorando. O título surgiu junto com a idéia: 50/50. Foi possível dar conta da história da televisão brasileira com estas 50 entrevistas? Nunca pensei que este livro contasse a história da televisão brasileira. São 50 depoimentos com trechos dessa história, com a visão e os trabalhos realizados pelos autores dos depoimentos. Houve alguma entrevista particularmente difícil de ser obtida? Não. Todos cooperaram com extrema boa vontade. Alguma pessoa cujo depoimento o senhor considerava importante para o livro não quis se pronunciar? Pode dizer quem foi? Gilberto Braga constava da lista aprovada inicialmente, mas se encontrava fora do País. E Henrique Martins, por excessiva modéstia, não quis escrever sobre suas próprias realizações. Qual das entrevistas deu mais trabalho para ser feita? Não houve entrevista alguma. São 50 depoimentos escritos pelos próprios companheiros. Ao longo das entrevistas surgiram dados que o senhor desconhecia referentes ao percurso da televisão no Brasil? Quais? Todos os depoimentos são muito interessantes, mas seria difícil destacar este ou aquele trecho. De acordo com seus entrevistados, quais os momentos mais importantes da televisão brasileira? São tantos momentos e tantas as interpretações para alguns episódios que só mesmo a leitura do livro poderá responder a esta pergunta. Se se quisesse destacar um único programa como o de maior influência nessas cinco décadas, qual seria ele, na opinião de seus entrevistados? E em sua opinião? Destaco o Jornal Nacional, primeiro programa jornalístico a utilizar a rede nacional de sinais e a transmitir o seu noticiário, simultaneamente, para todo o Brasil. Qual a sua perspectiva destas cinco décadas da televisão brasileira? Como estamos olhando para um passado recente e recuperando alguns momentos importantes da história da comunicação no Brasil, o que se torna mais importante é o heroísmo e a determinação dos profissionais que implantaram a televisão no Brasil. Quais os maiores problemas que ela enfrenta? E quais seus trunfos? Como seus entrevistados e o senhor vêem o futuro da televisão brasileira? Como aumentou muito o número de receptores nas classes sociais de menor poder aquisitivo, esse fato tem influído sensivelmente no conteúdo dos programas. Mas a grande capacidade de reação do veículo à acomodação terminará assegurando o predomínio da qualidade em relação aos programas de maior apelação popularesca. O futuro da tevê reside na interatividade. Tudo vai se misturar - cabo, satélite, telefonia e Internet. Acho que há espaço para todos, e cada sistema saberá se aproveitar das facilidades disponíveis sem deixar de se harmonizar com os demais. Como o senhor encara a popularização da programação, com programas que recorrem a pegadinhas e à exposição no vídeo de cidadãos comuns em situações constrangedoras? Esses programas tiveram início com o americano Candid Camera, ainda em exibição. São programas perfeitamente aceitáveis, desde que produzidos com inteligência, sem se tornarem constrangedores. A renda do livro será destinada ao retiro Casa dos Artistas. Por que foi escolhida essa instituição? Porque no Retiro dos Artistas estão alguns profissionais que precisam de apoio e porque a entidade atravessa período de grandes dificuldades financeiras. Que editora lançará o livro? O lançamento está previsto para quando? O livro será lançado pela Editora Globo, no mês de outubro.

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