Futuro da moda está na China, prevê Pierre Cardin

Em dez anos, a China será a primeira potência mundial no setor da moda. Quem faz a previsão é Pierre Cardin, que depois de 60 anos de carreira de sucesso em todo o mundo, aposta no mercado chinês como o futuro da produção e criação da moda. "Eu mesmo já tenho 34 fábricas no país. Eles (chineses) são muitos, querem trabalhar e o fazem muito bem. Além disso, têm grandes talentos", afirmou o estilista em entrevista, para fazer a avaliação de sua atuação nas últimas décadas, da qual o Estado participou.Com 800 fábricas espalhadas em todo o mundo, garante que a potencialidade da China no ramo de moda é impressionante. "Lá está o futuro do setor", afirma o estilista, que acaba de ganhar um caso contra a pirataria de sua marca em Pequim. A preocupação de Cardin com a pirataria é apenas uma mostra de que o estilista, mesmo com seus 82 anos, ainda controla tudo o que ocorre dentro de sua empresa. O francês ainda se orgulha em dizer que é o único dos grandes estilistas do século 20 que ainda é proprietário de 100% de seu próprio negócio. "E isso é graças ao talento", afirmou Cardin, que revela ter estudado contabilidade e administração nos anos 40.Essa situação, porém, deve mudar em breve. Segundo o estilista, sua empresa será vendida. "Um corredor que já conseguiu muitas medalhas deve parar. Caso contrário corre o risco de perder o que obteve", afirmou o estilista, que se recusa a divulgar o nome da empresa que controlará a Pierre Cardin. O estilista, porém, deixa claro que pretende continuar como uma espécie de orientador dos trabalhos da companhia.Cardin não deixa de apontar que sua empresa, criada nos anos 40, conseguiu sobreviver mesmo diante das mudanças na moda. "Hoje, os estilistas não vestem mais as mulheres. Eles as decoram. Por isso, fica difícil para o criador. Acho que quando comecei vivíamos um período mais agradável. Naquela época, vestíamos a mulher. Agora a despimos", afirmou. Ele destaca ainda que fez sua fortuna com o prêt-à-porter e não com a alta-costura. "Eu queria democratizar a moda e não deixá-la apenas para um grupo de privilegiados", disse. A estratégia funcionou. Nos três primeiros anos de vida, sua empresa passou de 35 funcionários para 400. No total, Pierre Cardin afirma que emprega 200 mil pessoas em todo o mundo. O dinheiro gerado no setor da moda fez com que Cardin multiplicasse seus negócios. O estilista é proprietário de quatro teatros, montou 18 restaurantes em todo o mundo, criou 13 essências em perfume, comprou um hotel e ainda criou uma marca de água mineral.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.