Futebol inspira McCann

O irlandês Colum McCann trabalhou durante sua passagem por Paraty - ele fez pesquisa para seu novo romance, que deverá ter uma cena em que garçons de diversas nacionalidades que trabalham em Nova York decidem assistir a um jogo de futebol. Mas, como não têm ingresso, são obrigados a acompanhar a partida pelo rádio. "É algo que me fascina", conta ele, que deve ter sido um dos poucos nativos a acompanhar a Copa do Mundo em seu país, em 1994, época em que o futebol era um mistério para os americanos. "Hoje, já há mais conhecimento e o time é mais competitivo."

Ubiratan Brasil ENVIADO ESPECIAL / PARATY, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2010 | 00h00

Jornalista, McCann está habituado a fazer pesquisas. Como um dos garçons deverá ser brasileiro, ele anotou diversas opções de nome. O mesmo procedimento foi necessário para escrever Deixe o Grande Mundo Girar (tradução de Maria José Rios Peixoto, 378 páginas, R$ 52,90), que lançou na Flip. Considerado pela revista Esquire "o primeiro grande romance sobre 11 de setembro", começa com uma cena que de fato aconteceu em 1974, quando o equilibrista francês Philippe Petit andou por um fio de aço entre as duas torres do World Trade Center. É o ponto de partida para a narração das histórias de Corrigan, um padre irlandês que procura Deus em um grupo de prostitutas do Bronx; também a de mães de soldados mortos no Vietnã se reúnem para partilhar sua dor; e por fim a da prostituta Tillie que, na prisão, chora por ter fracassado em proteger a filha e os netos. Um fascinante conjunto de vozes que retrata a efervescência da Nova York dos anos 1970.

O romance funciona também como uma alegoria do 11 de setembro de 2001. "Assinalou, de fato, o início do século 21", diz McCann. "Acredito que a beleza da ficção está no fato de ela poder falar sobre os pequenos, os anônimos, criando também um amplo panorama." Esses desconhecidos são vividos por Corrigan e outra prostituta, Jazzlyn, que representam as duas torres do romance. "Como eles caem no primeiro capítulo, o resto do romance se passa na reconstrução destas duas torres sem voz."

Simbolizando a esperança, o malabarista é visto pelo escritor como uma metáfora da esperança. "Todos desejamos a beleza, mas só alguns conseguem alcançá-la." McCann, aliás, conta que teve um breve contato com Philippe Petit, escrevendo-lhe diversas vezes e mantendo uma conversa por telefone. "Gostaria de ter me aproximado, mas nunca foi possível, embora ele more a cerca de uma hora de Nova York, onde eu moro."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.