Futebol é tema de mostra no CCBB do Rio

A plasticidade do futebol sempre encantou os artistas e a proximidade da Copa do Mundo da Alemanha reuniu alguns deles, vindos dos países competidores, na mostra Futebol: Desenho sobre Fundo Verde, que será aberta hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio. São nove brasileiros e dez estrangeiros que criaram sobre o tema, em suportes variados, que vão da tradicional pintura a instalações sonoras. "Este esporte é uma matéria-prima muito rica para a arte, especialmente quando jogado por brasileiros, que praticamente dançam em campo e imprimem um ritmo às partidas absolutamente surpreendente, como acontece em sua música", filosofa o curador da mostra Alfons Hug. "Como a arte também precisa surpreender, juntamos as duas paixões nacionais." A maioria das obras foi criada especialmente para esta mostra, mas Hug trouxe alguns clássicos, como a série de retratos de craques, pintados por Rubens Gerchman em óleo e tinta acrílica sobre tela. Lá estão os veteranos Domingos da Guia e Garrincha e novatos como Grafite, cujo retrato será mostrado pela primeira vez. Do Museu do Inconsciente vieram Mesa de Sinuca e Escudo de Regata do Vasco da Gama e Arquibancada de Fórmica Azul e Madeira Branca, de Arthur Bispo do Rosário, que nunca foram exibidas publicamente antes. O suíço Serge Spitzer trouxe Global Culture, uma mesa que se move sem que a bola sobre ela caia no chão. Outras obras foram concluídas dentro do próprio CCBB, como Tempestade e Ímpeto, do alemão Florian Merkel, que pintou sobre uma parede uma partida que bem poderia ser também um baile funk. Mariano Molina, da Argentina, ocupa outra parede na mesma sala, com Entretenimiento. O brasileiro Roberto Cabot, radicado na Alemanha, trouxe dois óleos sobre tela abstratos, talvez para constatar com o predomínio de fotografias trazidas por brasileiros e estrangeiros. "Esta mostra se baseia no fato de que o futebol é desenho em movimento. Dois desenhos disputam um espaço simétrico e um deles vence", explica Hug. "Então, partimos da abstração para o concreto, o figurativo, interativo." Este é o caso de Totó Treme Terra, instalação do grupo Chelpa Ferro em que o jogo de pebolim reage aos lances armados numa partida entre Brasil e Argentina. "O público poderá jogar e os lances em campo vão determinar a sonoplastia", avisa Jorge Barrão, um dos três integrantes do grupo. Interativa também é Camouflage/Gol 1-3, do alemão Olaf Nicolai, que ficará na rotunda do prédio do CCBB. Três painéis estarão espalhados pela área e o público tentará fazer seu gol. A maior parte das outras obras é de vídeos ou fotografias. A alemã Christine Fenzl registrou, em dezembro, as partidas entre crianças da favela Erundina, em São Paulo. E a Frente 3 de Fevereiro, formada por ativistas políticos brasileiros, exibe o vídeo Onde Estão os Negros?. Já Felipe Barbosa mostra esculturas. "Em nenhum dos casos fiz outra sugestão além do tema futebol", conta Hug. "O jogo é uma paixão aqui e na Europa e interessa a muitos artistas. Se tivesse mais espaço, poderia incluir pelo menos mais dez brasileiros e o dobro de estrangeiros." Entre 23 e 28, a exposição se completa com a mostra de filmes A Redonda no Retângulo, com produções de vários países sobre o futebol. O Brasil vem representado por Boleiros, de Ugo Giorgetti (o primeiro, de 1998). Há também curtas de cinematografias raras por aqui, como Sri Lanka, Benin e Suíça. "O cinema sempre recorreu ao futebol, como ficção ou documentário, porque as imagens são sempre belíssimas", lembra o curador. "Esta mostra deve ir para Porto Alegre em julho e depois para Salvador, pois a arte e a paixão brasileira pelo futebol prescinde da Copa do Mundo para justificá-la."

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