Furacão francês

Dupla Air, maior nome do pop na França, vem ao País e fala ao Estado sobre a estética de 'baixa tecnologia'

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

                  

 

 

FESTIVAL NATURA NÓS 2010. Chácara do Jockey. Av. Pirajussara, s/n. 16/10. R$ 190/ R$ 500. Principais atrações: Air, Bajofondo, Snow Patrol, Jamiroquai, Céu, Vanessa da Mata e Pato Fu (www.naturamusical.com.br/festivalnaturanos. Ponto de venda: Morumbi Shopping.

Easy listening proustiano? Muzak para acompanhar um debate barthesiano sobre linguagem e signos? Messieurs dames: eis que é chegada a hora de ouvir a maior banda francesa pop dos últimos 20 anos, o Air.

Eles são a principal atração do Festival Natura Nós, que desembarca na Chácara do Jockey no dia 16 de outubro. Muitos festivais brasileiros flertaram com Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, a dupla de Versalhes, na última década, mas eles não toparam atravessar o Atlântico. Agora é fato. Além do Air, o festival terá Jamiroquai, Snow Patrol, Bajofondo, Vanessa da Mata, Céu, Adriana Partimpim, Pequeno Cidadão, Palavra Cantada e Pato Fu. Os ingressos começaram a ser vendidos no dia 9.

O Air ficou massivo a partir de 1998, quando lançou Moon Safari, seu maior sucesso planetário até hoje. Depois, manteve-se sempre num circuito cult, fazendo músicas para trilhas de filmes como As Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, produzindo para Charlotte Gainsbourg e transitando de festivais de jazz a saraus eletrônicos. No ano passado, o Air lançou Love 2, um dos melhores trabalhos pop da temporada.

Manifesto. "É nosso trabalho mais acústico. No show, fazemos tudo ao vivo, não há computadores. Mas o som sempre soa eletrônico, provavelmente pelos teclados que usamos, os mixers", diz Jean-Benoît, falando de sua casa na França ao Estado. O nome do grupo é um acrônimo de Amour, Imagination, Rêve (Amor, Imaginação, Sonho, em francês). Dunckel diz que, 15 anos após sua estreia, esse ainda é um manifesto perfeito de sua música.

O Air não nega os ecos, em sua música, do som de gente como Burt Bacharach, Giorgio Moroder, Nino Rota, Vangelis, Ennio Morricone, Carpenters. "O que buscamos na nostalgia é algum tipo de melancolia, a atmosfera, uma chave para certas emoções", diz Dunckel. "A música que entristece, às vezes, também é uma coisa boa para você. Nós estamos sempre em busca de paixão e emoções."

Dunckel concorda que Love 2, o mais recente trabalho do Air, é também o mais colorido e diversificado da banda. "Acho até que há algo de brasileiro nele", analisa. O arsenal low tech, de baixa tecnologia, ajudou a conseguir essa sonoridade: teclados vintage, minimoogs, um órgão Wurlitzer, uma drum machine Roland TR-808. O Air nunca foi tão globalizado: recentemente, eles tocaram com uma dupla neobossa do Brooklyn, o belo trio de garotas Au Revoir Simone.

Lírica. "A grande questão da música moderna é a composição. Muitas das novas bandas não dão a atenção devida a isso. Nós gostamos muito dessas bandas que têm aparecido, como o Dirty Projectors, o MGMT, o Vampire Weekend, porque sabem compor, aliam o som e a instrumentação com a poética, a lírica. É bacana que eles estejam em evidência."

Dunckel se arriscou em carreira solo, em 2006, lançando um disco, Darkel (brincadeira com a palavra "escuro" em inglês e alemão). Mas diz que foi uma experiência "chata", a de trabalhar sozinho, e está 100% dedicado ao Air agora. Eles chegam ao Brasil com um baterista de apoio, e um sistema de projeção de imagens para emoldurar a atmosfera da música.

A primeira turnê sul-americana do Air começa no dia 7 de outubro no Chile. Depois, vão à Argentina, chegam ao Brasil e vão à Colômbia. "Nunca estivemos aí. Tenho amigos de São Paulo, do Rio, que nos falam algumas coisas. Tenho um amigo chileno também. Sei pouco, que o Brasil é um país grande, que vocês amam a boa música, que há bons discos para a gente conhecer. Mas é só."

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