Fundo setorial destina R$ 39 mi só para filmes

Ancine divulga os 45 projetos que receberão recursos do mecanismo criado para estimular produção independente

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2010 | 00h00

Comemorando o sucesso de filmes brasileiros - que, pela primeira vez, ocupam mais de metade das salas de exibição do País-, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) anunciou os 45 longas-metragens contemplados com R$ 39,2 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). São 36 obras de ficção, dois documentários e sete animações que receberão recursos para diferentes etapas de realização.

O longa A Arte de Perder, de Bruno Barreto, recebeu o maior investimento - R$ 2,5 milhões. A coprodução internacional narra o romance vivido no Rio pela poeta americana Elizabeth Bishop e pela arquiteta Lota de Macedo Soares, nos anos 1950.

A Ancine também contemplou obras que já foram filmadas e estão na última fase de produção. É o caso de Transeunte, longa de estreia do diretor Eryk Rocha, que recebeu R$ 200 mil para ser finalizado. O filme de ficção apresenta a vida de um aposentado que vaga pelas ruas cariocas.

"Recebemos um conjunto de projetos que espelha a diversidade do cinema brasileiro - com obras de diretores estreantes e veteranos; empresas iniciantes e experientes", afirma o presidente da Ancine, Manoel Rangel.

O novo longa de ficção da diretora Tizuka Yamasaki, Aparecida, Padroeira do Brasil, receberá R$ 1 milhão. No filme, que deve ser lançado em dezembro, um homem ateu enfrenta um conflito religioso interno depois que seu filho sofre acidente de moto.

Entre as obras contempladas, estão também Heleno, o Homem que Chutava com a Cabeça - biografia do jogador de futebol Heleno de Freitas, do diretor José Henrique Fonseca, com R$ 1 milhão - e Faroeste Caboclo - adaptação para o cinema da canção de Renato Russo, também com R$ 1 milhão.

No processo de seleção realizado com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a agência quis incentivar tanto a produção de longas com grande potencial de atração do público quanto obras voltadas a nichos. "Tivemos a felicidade de nos deparar com a diversidade da cultura brasileira e projetos que sinalizam para ampla capacidade de comunicação com o público", diz Rangel.

Patamar. Envolvido há quatro anos na produção da animação Lutas, o diretor Luiz Bolognesi pretende finalizar o longa com os R$ 500 mil que vai receber. "O surgimento do Fundo Setorial coloca a produção brasileira em outro patamar, porque enxerga o blockbuster, mas também o filme de arte que faz 5 mil espectadores." Para os produtores, os recursos da Ancine e da Finep são também uma maneira de estimular a participação do setor privado na indústria audiovisual brasileira. "Continua a luta para aproximar empresas privadas da produção nacional, mas o fundo fortalece a busca por recursos pois desperta o interesse dos investidores", afirma Debora Ivanov, produtora de Acorda, Brasil!, que recebeu R$ 1,5 milhão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.