Fundação Nobel descarta hipótese de tirar prêmio de Grass

A Fundação Nobel descartou a hipótesede retirar o Prêmio de Literatura concedido em 1999 ao escritoralemão Günter Grass, por suas recentes declarações admitindo terpertencido em sua juventude à Waffen-SS - corpo de elite militar doregime nazista. Grass falou sobre o assunto em entrevista aos jornais alemães para divulgar sua autobiografia, que será lançada em 1.º de setembro, "Beim Häuten der Zwiebel" (Descascando Cebolas).Segundo o diretor da Fundação, Michael Sohlman, "a concessão doprêmio é definitiva. Nunca um prêmio foi retirado", disse Sohlman ao jornal "Dagens Nyheter".Sohlman lembrou que esse tipo de pressão já aconteceuanteriormente em casos como o da concessão do Nobel da Paz, em 1994,ao presidente da OLP, Yasser Arafat, e aos políticos israelensesShimon Peres e Yitzhak Rabin.O diretor da Fundação também se referiu ao Nobel da Paz concedidoem 1935 a Carl von Ossietzky, que morreu pouco após ser confinado emum campo de concentração nazista."Hitler se irritou tanto na época que tentou proibir a entrega doprêmio Nobel", disse. No último final de semana, Grass revelou ao jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung" que aos 17 anos servira durante alguns meses no corpo de combate das SS nazistas. Até então, as biografias do autor de "O Tambor" registravam que, durante a 2.ª Guerra Mundial, ele havia sido auxiliar de artilharia do Exército alemão.A polêmica causada na Alemanha pela revelação foi tamanha que sechegou a cogitar a retirada dos prêmios concedidos ao escritor,inclusive o título de Cidadão Honorário de Gdansk (antiga Danzig,sua cidade natal).A Academia Sueca de Letras comunicou por intermédio do seusecretário Horace Engdahl, que não se pronunciará sobre asdeclarações de Grass.

Agencia Estado,

15 de agosto de 2006 | 16h31

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