Fundação Iberê Camargo abre mostra de Giorgio Morandi

A persistência do superintendente cultural da Fundação Iberê Camargo, Fábio Coutinho, que trabalha no projeto há cinco anos, trouxe a Porto Alegre telas que o pintor italiano Giorgio Morandi (1890-1964) havia selecionado para sua sala especial na Bienal de São Paulo de 1957 e que, na época, não puderam vir ao Brasil. São três obras-primas que se juntam a sete outras telas expostas na mostra internacional, 30 pinturas que resumiam sua carreira e lhe garantiram o Grande Prêmio São Paulo, desbancando Chagall e Ben Nicholson. A exposição "Giorgio Morandi no Brasil" será aberta nesta quinta-feira, para convidados, na Fundação Iberê Camargo, com 40 pinturas e 15 gravuras do pintor, desde os primeiros trabalhos, realizados na década de 1910, aos óleos da fase derradeira, dos anos 1960.

AE, Agência Estado

29 de novembro de 2012 | 10h14

"O projeto inicial era o de reproduzir a sala especial dedicada a Morandi em 1957, mas ele acabou se expandindo e envolvendo cinco instituições italianas que têm obras suas no acervo", conta Fábio Coutinho, que passou os últimos cinco anos em viagens pela Itália para reunir as 55 obras da mostra, exatamente 55 anos depois da última participação de Morandi na Bienal de São Paulo. Ainda vivo, na ocasião, o pintor selecionou três telas, mas o empréstimo não foi possível. Presente desde a primeira edição da mostra internacional, em 1951, quando exibiu dez telas (de 1929 a 1951), Morandi recebeu ainda o prêmio de gravura na segunda (1953), mostrando 25 águas-fortes (dos anos 1910 aos 1930).

Morandi não veio para nenhuma delas. Não por esnobismo, mas por seu temperamento reservado. Embora homenageado com a sala especial na Bienal de 1957, organizada por Rodolfo Pallucchini, ele ditou condições precisas para autorizar a mostra: a de não concorrer a nenhum prêmio e escolher pessoalmente os quadros que seriam expostos. Entre eles estava uma natureza-morta de 1918 pertencente ao crítico e amigo Roberto Longhi. Ele foi um dos três colecionadores que não emprestaram suas telas. O motivo alegado: não poderia passar tanto tempo longe de uma pintura tão familiar. Vendo as obras-primas da exposição de Porto Alegre, que não serão exibidas fora do Rio Grande do Sul, é possível entender a decisão "egoísta" de Longhi. Mais um motivo para visitar a Fundação Iberê Camargo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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