Fundação Bienal vai integrar curadoria de Valência

A Fundação Bienal de São Paulo vai passar a ser co-organizadora da Bienal de Valência, Espanha. A instituição foi convidada para organizar a maior parte da mostra, indicando curador e vice-curador para a exposição, que será realizada em março de 2007. O curador é Agnaldo Farias e o vice é Jacopo Crivelli. O curador do Museu Afro, Emanoel Araújo, foi incumbido de organizar uma mostra de arte afro-brasileira na exposição.O processo coincide com a saída do italiano Luigi Settembrini da Bienal de Valência, dispensado pela Generalitat Valenciana, gestora da exposição. Em seguida à saída do italiano, cujo contrato era milionário, a Generalitat anunciou a idéia de converter a cidade de Valência em "uma ponte entre a América Latina e a Europa". O orçamento de Valência 2007 gira em torno de 3 milhões (cerca de R$ 6 milhões).O acordo entre São Paulo e Valência, que não será só para a mostra de 2007, mas prosseguirá nas próximas edições, foi assinado por Alejandro Font de Mora, conselheiro de Cultura de Valência, e Manoel Francisco Pires da Costa, presidente da Fundação Bienal. Pires da Costa estima que muitos artistas brasileiros, alguns deles presentes à Bienal de São Paulo de 2006, serão enviados à Espanha em março, assim como chilenos, argentinos, colombia nos e de outros países da região.A Fundação Bienal envolveu-se também num projeto de exportação de arte do Brasil. A instituição vai funcionar como intermediadora entre galeristas do País para levá-los a grandes feiras de arte internacionais, como a espanhola Arco. A iniciativa já tem até verba, fruto de convênio entre a Bienal e a Agência de Promoção das Exportações (Apex-Brasil), o Sebra e, o Ministério das Relações Exteriores e da Cultura incumbiram a Bienal de São Paulo de selecionar galeristas que pudessem enviar artistas para feiras na Europa e América do Norte. Segundo Manoel Pires da Costa, as iniciativas "expansionistas" da bienal não são novidade, já vêm se esboçando há tempos. Antes, só havia um convênio da fundação para organizar a representação brasileira na Bienal de Veneza. Essa tarefa cresceu progressivamente: a bienal já ajudou a organizar exposições nacionais em Nova Delhi e Johannesburgo, entre outras cidades."Agora aconteceu um fato que vem de encontro a toda essa intenção: o governo federal quer incentivar exportação de música, artes visuais e literatura. Como se faz isso? Mandando obras lá para fora", ele explicou. O convênio com a Apex, segundo ele, não transformará a bienal numa espécie de supergaleria, com uma atuação comercial no mercado. "As obras e os artistas que serão exportados serão uma escolha das galerias", afirmou. "Na Arco, em 2005, tinha 4 ou 5 galerias brasileiras. Não seria interessante se tivesse um maior número? Se aumentássemos a presença nacional? É importante do ponto de vista cultural e econômico também".

Agencia Estado,

04 de agosto de 2006 | 13h01

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