Fundação abre o jogo

E apresenta dados sobre equipe e preparação da mostra

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h06

A partir de julho, o pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Ibirapuera, começa a ser preparado para a montagem da 30.ª Bienal de São Paulo, prevista para ser inaugurada no dia 4 de setembro para convidados e em 7 de setembro para o público. A exposição, sob o título A Iminência das Poéticas e com curadoria geral do venezuelano Luis Pérez-Oramas, mas a Fundação Bienal de São Paulo realizou ontem, em seu auditório, uma apresentação de como vem sendo estruturada não apenas a mostra, como a própria instituição com a criação de uma equipe interna de 50 profissionais com setores próprios para projeto educativo, comunicação (que inclui áreas de design e publicações), arquivo histórico da Bienal, produção e superintendência, processo desenvolvido desde 2009.

"As pessoas veem os eventos prontos, mas queríamos abrir uma janela sobre o que é a casa, que tinha tradição de operar num sentido terceirizado", afirmou Heitor Martins, eleito diretor-presidente da Fundação Bienal de São Paulo em 2009. O empresário não nega que a "insegurança" gerada no início deste ano, quando a instituição teve, judicialmente, suas contas bloqueadas por questionamentos da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre convênios firmados pela Bienal entre 1999 e 2007, ainda reverbere. "Assustou os patrocinadores", disse. Do orçamento, segundo Martins, de aproximadamente R$ 22 milhões para a 30.ª edição, ainda falta a captação de R$ 4 milhões. "O momento econômico mudou e também perdemos muito tempo no começo do ano (as contas ficaram bloqueadas entre janeiro e 22 de março)."

Entretanto, ontem, com a apresentação Construindo a Bienal, a instituição quis reforçar uma vontade de transparência sobre sua atual gestão. Representantes do Ministério da Cultura, como Henilton Menezes e Sergio Mamberti, respectivamente, secretário de Fomento e secretário de Políticas Culturais da pasta federal, estiveram presentes. "A análise detalhada e técnica das contas da Bienal está sendo feita em parceria com o MinC e esperamos que nos próximos meses possamos superar isso", disse Martins. "Nos últimos 10 anos, a história da instituição foi tumultuada, é importante que esse passado seja superado."

Oramas apresentou, novamente, alguns conceitos da mostra, que está voltada "mais para o processo (de criação dos artistas) do que o resultado". Usando como mote o título da exposição, o curador afirmou que uma das funções da arte é lidar com o que não está previsto, "entender o mundo em sua condição de iminência" - o que, reforçou, também se refere à história da Bienal de São Paulo.

Mais ainda, o arquiteto brasileiro Martin Corullon explicou o projeto da expografia da 30.ª Bienal baseado num "sistema simples de painéis modulares". Pela imagem projetada de uma maquete, vê-se que a mostra será formada por conjuntos de espécies de salas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.