Funarte cede espaço para Fábrica de Cultura

O Ministério da Cultura anuncia nesta segunda-feira a criação, em São Paulo, da Fábrica de Cultura, um projeto de formação de mão-de-obra para atividades culturais e artísticas. O programa vai ocupar todo o antigo espaço da Funarte no Centro de São Paulo, na Alameda Nothman, e será coordenado pela própria Funarte.O investimento inicial para a implantação do programa é de R$ 2,4 milhões. A Fábrica de Cultura pretende incorporar ao seu espaço físico os cerca de 3 mil metros quadrados que hoje são utilizados pelo Ministério da Educação no prédio da Alameda Nothman. Segundo informou a assessoria de imprensa da Funarte, o Ministério da Educação deverá desocupar o prédio. Com isso, a "fábrica" vai dispor de um total de 5.286 metros quadrados em suas atividades.A idéia, segundo o Ministério da Cultura, é reformar os prédios e oferecer alojamento para profissionais de outras cidades que queiram fazer cursos preparatórios para trabalhar com cultura. Além de aprender como desenvolver projetos na área, os profissionais também terão formação sobre administração de espaços públicos. Os cursos começarão no início do próximo ano.Outra atividade será a de capacitar mão-de-obra cultural, como figurinistas, cenógrafos, iluminadores, fotógrafos, maquiadores e atividades correlatas das artes. Os detalhes do projeto serão apresentados amanhã pelo ministro da Cultura, Francisco Weffort, e pelo presidente nacional da Funarte, o escritor Márcio Souza, em coletiva no edifício.Segundo Márcio Souza, a constatação de que uma das carências básicas da atividade cultural no País é em relação à mão-de-obra especializada em administração e estruturação das atividades motivou a criação da Fábrica. "Durante o projeto Cinema Brasil, que percorreu cidades do País com filmes nacionais, percebemos que havia boa vontade para realizar, mas grande falta de recursos humanos", explicou.O programa deverá buscar apoio na iniciativa privada para manter-se, já que o investimento inicial ainda depende de apoio externo e, ainda assim, não sustenta o funcionamento de um projeto desse tamanho. Atualmente, a Funarte dispõe, em todo o País, de R$ 38 milhões (5% do orçamento do Ministério da Cultura) para gerir uma estrutura com cerca de 530 funcionários.O grande problema recente da Funarte foi a burocracia, diz Márcio Souza. Ele diz que chegou a aposentar 250 funcionários em seis anos à frente da instituição, e que não pôde repor as ausências porque não dispunha de um plano de cargos e carreira.Criada em dezembro de 1975, extinta em março de 1990 e reorganizada em setembro de 1994, a Fundação Nacional de Arte (Funarte) é vinculada ao Ministério da Cultura e sucedeu as extintas Fundação do Cinema Brasileiro/FCB e Fundação Nacional de Artes Cênicas/Fundacen.Segundo informa sua homepage, ela tem como objetivos principais "promover, incentivar e amparar, em todo território nacional e no exterior, a prática, o desenvolvimento e a difusão das atividades artísticas e culturais nas áreas de teatro, dança ópera, circo, artes plásticas e gráficas, fotografia, música popular e erudita, folclore e cultura popular, cinema e vídeo, documentação e informação, além de incentivar a pesquisa nos campos de sua atuação, contribuindo, também, com o tratamento e a conservação de toda a documentação produzida nessas áreas, tendo em vista a preservação da memória cultural do País".Os recursos financeiros para a Funarte vêm do Tesouro Nacional (sob aprovação do Congresso), de convênios com instituições oficiais, brasileiras e estrangeiras, ou privadas e da arrecadação própria, por meio da promoção de espetáculos e bilheterias diversas.Os maiores espaços culturais que a instituição administra no País são o Centro de Artes da Funarte (localizado no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro); o Centro de Centro de Documentação e Informação em Arte (na Rua São José, 50, Centro, Rio de Janeiro), Museu de Folclore Edison Carneiro (no Rio, com cerca de 1,5 mil peças do folclore brasileiro) e os teatros Cacilda Becker e Glauce Rocha e Dulcina (Rio) e salas Eugênio Kusnet e Carlos Miranda (São Paulo), além da própria sede da Funarte paulistana. Também tem espaços em Brasília, como as salas do complexo Guimarães Rosa, e o Museu do Mamulengo, em Olinda (PE)A instituição já viveu melhores dias em São Paulo e no resto do País, mas seu último grande projeto na cidade foi a repintura dos pilares do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, há dois anos. O projeto custou R$ 500 mil e teve apoio da Porto Seguro Seguros. O projeto consistiu basicamente na retomada da pintura feita na década de 70 por Flávio Motta, segundo informou na época José Peixoto Silveira, o PX Silveira, diretor da Funarte em São Paulo. O problema foi que a pintura, pouco depois de completada, em agosto de 1974, já estava sendo adulterada e rabiscada por grafiteiros e pichadores.

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