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''Fun, fun, fun, fun...'' Friday e o futuro do Pop

Você já ouviu Friday, hit sem graça da adolescente Rebecca Black? Se não, prepare-se para ouvir. Em pouco mais de duas semanas, a norte-americana de 13 anos transformou um clipe idiota para uma música ainda mais estúpida em um dos grandes fenômenos da história do YouTube. Às vésperas de completar 50 milhões de views até o fechamento desta coluna, na sexta-feira, o vídeo de Rebecca conseguiu, em poucos dias, o dobro do que Lady Gaga teve com seu vídeo mais recente, Born This Way, lançado há mais de um mês.

Alexandre Matias, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2011 | 00h00

Mas quem é ela e por que uma menina tão sem graça, num clipe tão besta, cantando uma música tão boba é motivo de tanto barulho? Vale rebobinar a fita (que termo arcaico!) para entender o que está acontecendo.

O clipe foi lançado pelo escritório Ark Music Factory, divulgadores que, em vez de tentarem convencer marcas a usar a internet para que elas se tornem conhecidas, deixou empresas de lado e voltou-se para as pessoas. Mais especificamente pais que acham que seu filho tem talento para se tornar o próximo Justin Bieber.

Pois os pais de Rebecca acharam que a filha tem talento (não tem), funciona em vídeo (não funciona) e é bonita (não é) o suficiente para justificar o investimento. O clipe foi lançado no fim de fevereiro, mas só no dia 11 de março se tornou viral. Primeiro pelo próprio ridículo do clipe (seu vídeo já é o décimo mais comentado na história do YouTube). Depois, com a insistente repetição online, virou motivo de piada: remixes, mashups, colagens e recombinações de toda ordem fizeram a menina se tornar o sucesso que é - dando entrevistas e até fazendo shows! O nível de insanidade é tal que ela não saiu dos trending topics do Twitter desde que entrou pela primeira vez.

Mas o que isso quer dizer? Que a internet aceita qualquer coisa? Que a cultura do século 21 é o sonho do pós-modernista mais ferrenho, em que o conteúdo pouco importa e sim a forma como ela se espalha? Que, tanto faz marca, modismo ou arte, o público só quer consumir e pronto? Aguardem cenas do próximo capítulo: essa história está longe de terminar... Até lá, decore o refrão: "Fun, fun, fun, fun..."

 

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