Fúlvio Stefanini procura patrocínio para peça

O ator Fúlvio Stefanini está com um novo projeto engatilhado, só falta o patrocínio para transformar a idéia em mais um deliciosa comédia. O ator pretende estrear em janeiro a peça com o título provisório de Na Cama.com, ainda em fase de pré-produção, mas já postulando apoio da Lei Rouanet (está inscrita no mecenato com o protocolo n.º 02-1113).Stefanini é um ator reconhecido, não somente por suas atuações em novelas da Globo, mas também por sua capacidade de lotar teatros. Cerca de 300 mil pessoas assistiram a Caixa 2, uma peça que divertiu a platéia apresentando as maracutaias e escândalos da política nacional, tão comuns nas manchetes do jornais (ele atuou ao lado do ator Juca de Oliveira). Um sucesso. É um exemplo de como mesmo nomes de peso no mercado se deparam com dificuldades para conseguir um patrocínio e transformar idéias em ação."Hoje, o teatro depende do capital das empresas para acontecer, sair do papel. Estamos em busca de apoiadores para concretizar esse projeto", afirmou Stefanini. Para o ator, as empresas precisam entender que, ao fazer uso das leis de incentivo, usam dinheiro público e trabalham pelo interesse público."Os profissionais que atuam na área de marketing devem ter consciência que a lei de incentivo fiscal deve beneficiar os espetáculos culturais, não pode ser utilizada com a finalidade única de publicidade para as empresas. Há um compromisso com a sociedade, o dinheiro que está sendo abatido de impostos deve ser revertido à população, a fim de beneficiá-la", diz o ator.Stefanini ressalta que o apoio ao teatro humaniza a marca do patrocinador, aumenta sua importância institucional e a sua visibilidade.Projeto - Na Cama.com foi escrita por Walcyr Carrasco e a direção será assinada por Bibi Ferreira. Em cena, a história de um casal cuja relação de anos está desgastada por brigas e muitos desentendimentos. Os dois são emocionalmente dependentes, fato que dificulta a separação. Ela, uma tradutora; ele um executivo que convive com a instabilidade do mercado e a insegurança de perder o emprego a qualquer momento. Essa tensão alimenta o clima de discórdia entre eles.O clima tenso força a mulher a procurar uma analista, o que se torna um divisor de águas na vida do casal. Os conselhos dados pela terapeuta irritam o marido e despertam nele o machismo. Ele, muito nervoso, chega a tirar satisfações no consultório da terapeuta. Resultado certo: o divórcio.Após alguns anos, eles se reencontram em um supermercado. Muitos fatos marcaram a vida de ambos, principalmente na vida do marido: envolveu-se com a secretária, perdeu o emprego, foi abandonado pela namorada e tornou-se solitário. Após o encontro eles decidem reatar o relacionamento, até porque ainda existiam uma série de vínculos financeiros. "O texto é engraçado, realista, destaca o comportamento de muitos casais, o que torna os personagens próximos do público. Com certeza terá boa aceitação da platéia", afirma o ator.As atrizes ainda não foram escolhidas. "Conversei com algumas pessoas, estou aguardando uma resposta, não tenho nomes fechados", adianta. "O pontapé inicial foi dado, estamos à espera da produção que só acontecerá depois do patrocínio."Ator - Fúlvio Stefanini é paulistano. Passou parte de sua vida na Rua Barão de Limeira, com a família - ao lado da mãe, que costurava para fora, e do pai, um italiano que trabalhava como representante de laboratórios e passava boa parte do tempo em viagens. A princípio, a decisão de seguir a carreira de ator desagradou à sua família.Ainda adolescente, aos 15 anos, foi até a TV Tupi, procurou pelo homem que fez a adaptação de O Sítio do Pica-Pau Amarelo para a televisão, Júlio Gouveia, e disse que queria ser ator. O diretor o orientou a entrar em contato com o Teatro Escola de São Paulo. A demora pelo chamado fez com que Stefafani ligasse novamente para Gouveia, que o convidou para atuar como figurante em A Nota de Um Milhão de Esterlinas.Realizou seu sonho de infância e não parou mais. Sua primeira novela foi A Outra Face de Anita, na Excelsior, na figura de galã, mesmo que meio debochado. Um marco em sua carreira foi a atuação na peça de Edward Albee, Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, ao lado de monstros sagrados como Walmor Chagas e Cacilda Becker. Na televisão, um dos pontos altos foi sua participação na novela Gabriela, baseada no romance de Jorge Amado.Stefanini é um ator intuitivo, nunca cursou uma escola de artes dramáticas. Aprendeu tudo o que sabe nos teleteatros ao vivo, na TV de Vanguarda e TV Comédia. Durante os ensaios cria as características de seus personagens, sempre com interpretação marcante, que rouba a cena. É o que promete fazer em Na Cama.com.

Agencia Estado,

30 de agosto de 2002 | 09h56

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