Fúlvio Stefanini

COMEÇOU AOS 15 COMO FIGURANTE, FEZ 42 NOVELAS, 7 FILMES, DEZENAS DE PEÇAS. AOS 70 ANOS, ESTÁ EM CARTAZ NO TEATRO E PRONTO PARA DIRIGIR SEU PRIMEIRO ESPETÁCULO

Flávia Guerra, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

Em mais de 50 anos de carreira, você sempre fez TV e nunca deixou os palcos. Como conseguiu dosar os dois meios?

Gosto de TV. Não é ideal, mas é uma retaguarda, dá segurança. O molde da novela é complicado. Tudo é muito urgente, mas não significa que não se faz um bom trabalho. O teatro é um templo, mas exige muito do ator, tanto fisicamente quanto mentalmente.

E o cinema?

Fiz pouco. Não porque não gostasse. Mas porque também exige disponibilidade e eu estava sempre ocupado. Lembro-me que fui convidado para fazer o Vadinho de Dona Flor e Seus Dois Maridos, mas não pude. O José Wilker ficou com o papel. Agora vou entrar em cartaz no cinema com o Cabeça a Prêmio, dirigido pelo Marco Ricca. A Grande Volta (peça que estou em cartaz) também é dirigida por ele. Ao todo, fiz só 7 filmes.

Você se arrepende?

Não. Perdi muitos papéis, ganhei outros. É preciso ter talento, mas sorte também. Tive muita.

No amor também. É casado há 42 anos com a mesma mulher.

Sim, com a Vera. Hoje, quando se casa e descasa toda hora, somos exceção. Claro que quebramos o pau às vezes, mas não nos largamos. É ela quem me ajuda a produzir vários trabalhos, que está sempre comigo.

Como descendente de italianos, confirma a fama de ser "família"?

Sim, porque não há como fugir da minha criação. Família é muito importante. Mas meu casamento sempre foi muito realista. Cada um tem sua individualidade e a respeita. Meus filhos também. Estão sempre por perto, mas vivem suas vidas. Tenho dois, o Leonardo, de 36 anos, que dirige, atua... E é mesmo do ramo. E tenho o Fulvinho, de 39, que é professor de inglês, francês, estudou veterinária, advogado formado... Mas é ator também. Ótimo comediante.

Além de netos, há algo que você não tem e gostaria de ter?Ou que não fez e gostaria de fazer?Acho que fiz de tudo. Só não dirigi ainda uma peça, o que finalmente vou fazer no segundo semestre. É uma comédia e se chama O Crime do Pet Shop, de Charles Ludlam, mesmo autor de O Mistério de Irma Vap. Apesar de não me sentir com 70 anos, acho que é hora de passar um pouco da minha experiência.

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