"Friends" chega ao canal de Silvio Santos

Eles passam boa parte do tempo no bar mas nunca bebem nada alcoólico. Café ou chá, sempre. Vivem grudados há dez anos e, nesse período, fizeram poucas novas amizades. O grupo ganhou um ou outro agregado eventual, mas nenhum deles conseguiu ser efetivado na seleta panelinha. As novas caras somem tão repentinamente quanto aparecem. O núcleo básico, no entanto, permanece intacto. A convivência é tão intensa que o troca-troca dentro da turma é inevitável. Eles são seis e protagonizam um dos seriados mais bem-sucedidos da televisão: Friends, que chega pela primeira vez à TV aberta brasileira e estréia hoje no SBT, às 23h30, depois do Show do Milhão. O cotidiano aparentemente monótono dos personagens é enganoso. É difícil o telespectador não esboçar pelo menos um sorriso diante das esquetes - baseadas sempre nas boas tiradas dos diálogos e no potencial cômico dos atores. Quando desenvolve intimidade com o personagem, o telespectador percebe que já virou fã. Criado de forma despretensiosa por Joss Whedon, o seriado foi recebido com desconfiança pela rede NBC. Mas o sucesso junto ao público reverteu esse quadro rapidamente. Friends já está em sua décima e última temporada e os protagonistas hoje ganham algo em torno de U$ 1 milhão cada um por episódio gravado. A emissora americana calcula que o último capítulo (de duas horas de duração) será assistido por mais de 30 milhões de pessoas. Enquanto a tevê aberta brasileira transmite hoje o primeiro episódio da primeira temporada, o canal pago Warner pretende exibir o capítulo derradeiro no Brasil em julho deste ano - dois meses depois da exibição nos Estados Unidos. O trunfo do SBT é a possibilidade de fisgar telespectadores que não tem tevê a cabo ou aqueles que só começaram a acompanhar a série depois da temporada de estréia. Por outro lado, a aposta pode virar blefe se a dublagem comprometer (leia o comentário de uma fã no texto abaixo). Situações cotidianas - Os capítulos da primeira temporada se passam quase sempre em três cenários - no ponto de encontro da turma, o bar Central Perk; no apartamento de Mônica (interpretada por Courtney Cox) e Rachel (Jennifer Aniston); ou no apartamento da frente, onde moram Joey (Matt LeBlanc) e Chandler (Matthew Perry). Completam a turma a doidinha Phoebe (Lisa Kudrow) e o irmão de Mônica, Ross (David Schwimmer). As histórias não são muito profundas, e conseguem entreter a partir de situações cotidianas - o novo namorado de uma das garotas, o jantar com os pais de outra ou o que acontece com eles durante um blecaute. Tudo muito simples e lucrativo. Ao longo dos anos, Friends coleciona prêmios Emmy e a NBC faz o que pode para tentar estender a série e continuar lucrando com ela. Os protagonistas já concordaram em gravar um episódio especial de 90 minutos em que os personagens se encontram em um jantar do Dia de Ação de Graças. Cada um dos atores embolsará suculentos U$ 2 milhões pela gravação. E para não perder a galinha dos ovos de ouro definitivamente, a emissora já acertou com Matt LeBlanc um contrato para ele estrelar um seriado-solo, chamado Joey. O ator vai viver o mesmo personagem que já faz há dez anos, e a nova série deve estrear nos Estados Unidos ainda no segundo semestre; lá, o programa deve ir ao ar nas noites de quinta-feira - mesmo horário ocupado por Friends na grade da NBC atualmente.

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