Frida Kahlo inspira estilistas

Mostra no México exibe cerca de 300 peças, algumas criadas pela pintora, outras assinadas por nomes consagrados

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h08

O vestuário tipicamente mexicano da pintora Frida Kahlo (1907-1954), escolhido para esconder seu corpo debilitado e preservar sua identidade étnica, inspirou estilistas de todo o mundo e, desde quarta-feira, é exibido na Casa Azul, localizada no Sul da Cidade do México, onde Frida viveu com seu marido Diego Rivera, artista plástico representativo do México.

A exposição As Aparências Enganam conta com cerca de 300 peças, entre vestidos, sapatos, joias e perfumes - inclui três corpetes artísticos, um deles desenhado em couro pelo artista Jean-Paul Gaultier para a marca japonesa Comme des Garçons, dedicados à memória da pintora.

Também estão expostos três vestidos confeccionados com flores, renda e algodão desenhados pelo italiano Ricardo Tisci para o ateliê Givenchy, inspirados na vida e imagem de Frida.

Uma das salas da mostra é dedicada a nove vestidos de tehuana, peças femininas típicas de Tehuantepec, no Sul do México, terra natal da mãe da pintora.

As blusas curtas com estampas coloridas e as saias largas escondiam o corpo deformado de Frida. Em seus primeiros anos de vida, ela contraiu poliomielite, o que afetou o crescimento de suas pernas. Aos 18 anos, em um acidente de ônibus, um tubo de metal atravessou seu tronco, obrigando-a a se submeter a dolorosas cirurgias e a permanecer deitada por longos períodos.

Com o delicado bordado de suas blusas curtas de tehuana e o complicado penteado de tranças, Frida conseguia que as pessoas se concentrassem em sua cintura e seu rosto, distraindo-as de suas pernas e seu corpo, explica Circe Henestrosa, a curadora da exposição. Em um de seus desenhos, em que Frida se representa nua com borboletas estampadas em uma perna e um corselete pintado sob um elegante vestido, a artista escreveu de próprio punho a frase que dá nome à mostra: "As aparências enganam".

"Sua maneira de se vestir foi resultado de seu próprio e forte sentido de identidade, uma identidade construída na dor física", afirma Circe. O traje de tehuantepec "simboliza uma mulher forte", acrescenta, e a artista escolheu se vestir dessa forma porque a ajudava a projetar suas convicções políticas. Isso aparece como um manifesto no autorretrato As Duas Fridas.

"O estilo de Frida era eclético. Gostava de combinar cores, texturas e origens de roupas segundo seu estado de espírito", explicou Hilda Trujillo, diretora do museu Frida Kahlo. As peças restauradas nos últimos oito anos serão exibidas em partes na Casa Azul, em uma parceria com a revista Vogue. / AFP

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