Frida Kahlo está perto de atingir novo recorde

O recorde de preço em leilão para trabalho de um artista latino-americano foi batido há seis anos por um auto-retrato da mexicana Frida Kahlo pintado em 1929 e vendido na Sotheby´s de Nova York por US$ 5,065 milhões. A mesma Sotheby´s espera repetir a façanha dia 24 de maio, quando põe à venda Raízes, óleo sobre metal criado por Frida em 1943. A Sotheby´s avalia que o quadro Raízes de Frida Kahlo poderá passar a ser a pintura, feita por uma mulher, mais cara da história quando for leiloada.O quadro da série Lírios de Georgia O´Keeffe, que foi vendido por US$ 6.166.000, é considerada a pintura feita por uma mulher mais cara de que se tem notícia.Raízes de Frida, pertence a uma coleção americana desde 1982 e é a primeira vez que aparece no mercado público. Lote principal do leilão de arte latino-americana que a Sotheby´s realiza nos dias 24 e 25, ele está avaliado entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões. Quadro reflete momento soberbo da artistaRaízes, que mede 30 x 50,3 cm, é um retrato de Frida de corpo inteiro, criado por ela como um ex-voto, aquelas plaquinhas de gratidão pelo recebimento de uma graça divina. Foi pintado no período em que ela se casou de novo com o muralista Diego Rivera. "É o período em que as pinturas dela são mais bem acabadas e esse é um exemplo soberbo da grande introspecção e beleza do seu trabalho", salienta Carmen Melián, diretora do Departamento de Arte Latino-Americana da Sotheby´s. No quadro, a pintora está deitada sobre a paisagem de Pedregal, localidade no sul da Cidade do México onde Rivera fez um museu para abrigar sua coleção de arte pré-colombiana. De cabelos soltos e com um vestido típico de tijuana, Frida tem o lado esquerdo do peito aberto, de onde saem galhos de folhas grandes e verdes. É seu sangue que alimenta as folhas e delas passa para a terra ressequida, que se abre numa fenda. Hayden Herrera, historiadora de arte e biógrafa de Frida Kahlo, nota que Raízes é também é uma imagem de tons sombrios. "Frida podia estar pensando em raízes crescendo do seu corpo depois da morte. Enquanto seu sangue flui para dentro da terra, ela parece aceitar a mortalidade", diz Hayden. Raízes também deve ser visto na Cidade do México, no ano que vem, na grande exposição que está sendo preparada para a comemoração do centenário de nascimento da pintora.

Agencia Estado,

04 de maio de 2006 | 16h53

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