Frida Kahlo é lembrada pelos 50 anos de sua morte

Frida Kahlo, a polêmica pintora, escritora, militante política, uma mulher que promoveu o nome de seu país com sua arte ao mesmo tempo em que desafiou as regras da sociedade em que vivia, com sua história de amor tumultuada e intensa com o pintor Diego Rivera, é celebrada hoje no México, no aniversário de 50 anos de sua morte.O magnetismo de Frida foi levado às telas do cinema pela atriz mexicana Salma Hayek, indicada ao Oscar por seu papel em Frida, dirigido por Julie Taymor, de 2002. É uma cinebiografia que mostra desde a poliomielite que teve na infância até o acidente que sofreu e que a obrigou a fazer inúmeras cirurgias, deixando seqüelas físicas devastadoras. Mesmo assim, seduzia homens e mulheres e dizia que o acidente marcou menos sua vida, do que o romance com Rivera.Frida, que havia completado 46 anos pouco antes de morrer, em 13 de julho de 1954, foi velada com sua tradicional saia preta, seu huipil (poncho) e seu xale de flores. Em seu pescoço, estavam pendurados seus colares mexicanos e, em seus longos dedos, uma série de anéis. Suas cinzas repousam em uma urna em forma de sapo na cabeceira de sua cama na Casa Azul, onde morreu.O México comemora o cinqüentenário de sua morte durante todo o ano, realizando exposições, peças de teatro, dança e filmes que lembrem sua obra. Mas o mais curioso é o lançamento de uma linha de óculos de sol, jóias, chales e bustos que reproduzem a imagem da famosa pintora mexicana, que são os primeiros produtos da nova marca Frida Kahlo, que será lançada esta semana no México. A marca e o nome de Frida, que cultuava sua própria imagem através de inúmeros auto-retratos, foram registrados por sua sobrinha, que queria criar um selo em tributo aos 50 anos de morte da pintora, completados hoje. Parte da família não concorda.Uma mostra com 14 originais, fotografias, documentos e um tablado assinado por seus amigos mais próximos, ficará em cartaz no Museu do Palácio de Belas Artes, de 4 de agosto a 7 de outubro. No Museu Mural Diego Rivera haverá uma mostra de desenhos, fotografias, jóias, vestidos, enquanto o Museu Casa Estúdio Diego Rivera e Frida Khalo fará uma exposição enfocando sua influência na formação de novos muralistas. Uma peça de teatro Frida ao Vento, de Damián Cordero, exibição dos filmes Frida, Natureza Viva, de Paul Leduc, Frida, Matizes de uma Paixão, de Julie Taymor, com Salma Hayek, e Frida a cinta que prende a bomba, documentário de Ken Mandel. Haverá mostras itinerantes pelo interior do país e peças dedicadas ao público infantil, entre outros espetáculos.Maria Hirzman comenta a arte de Frida KhaloSeguramente, Frida Kahlo é hoje uma das estrelas de primeira grandeza da mitologia latino-americana. As telas em que retrata de forma bastante dramática e quase obsessiva seus dramas pessoais - associados a uma iconografia arcaica repleta de símbolos referentes ao México indígena - encantam o público e alcançam valores até há pouco impensáveis nos leilões e mercados internacionais.Além da qualidade evidente de sua pintura, em suas telas se confundem de maneira profundamente intrigante a fragilidade física e emocional da mulher e o engajamento corajoso da pintora que se tornou símbolo da luta feminista e da defesa da identidade e da libertação de seu povo, Ao contrário de seu marido, Diego Rivera, e dos outros muralistas mexicanos, Frida pinta com os sentimentos; deixa pulsar na tela suas conturbadas emoções.A idéia de dilaceramento - físico e psíquico - está quase que permanentemente presente em sua arte. Em As Duas Fridas ela se retrata duas vezes: numa delas como uma espanhola, na outra como uma índia mexicana. Pintada em 1939, a tela participou da antológica exposição de arte surrealista realizada no México em 1940 - em conseqüência da visita ao país de André Breton, que se mostrou fascinado com a obra de Frida - é a obra mais visitada do Museu de Arte Moderna da Cidade do México.

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