Freire-Filho resgata inédito de Flávio Márcio

Autor de Réveillon, o jornalista e dramaturgo Flávio Márcio morreu em 1979, aos 34 anos - morte estúpida, causada pelo rompimento dos pontos de uma operação de amídalas - deixando alguns textos teatrais inéditos. Entre eles, O Homem Que Viu o Disco Voador, que estréia amanhã na Casa da Gávea, no Rio, sob direção de Aderbal Freire-Filho, com Paulo Betti no papel central.Não por coincidência, Aderbal foi quem descobriu o talento do escritor, em 1973, alguns anos depois de Flávio Márcio ter vindo de Belo Horizonte para São Paulo especialmente para integrar a equipe de criação do Jornal da Tarde (www.jt.estadao.com.br). Freire-Filho tentou encenar À Moda da Casa, uma das primeiras peças do jornalista, mas foi impedido pela censura.O jovem diretor veio então a São Paulo arrancar das mãos de Márcio a peça Réveillon. "Ele não era do tipo que parava no primeiro fluxo de inspiração. Escrevia, reescrevia e nunca estava satisfeito. Réveillon. é talvez a melhor peça pós-rodriguiana. Flávio Márcio era simplesmente um gênio", afirma Freire-Filho. Em 1975, Paulo José dirigiu Réveillon com Regina Duarte no papel central, montagem que consagrou o autor.Mas, como costuma ocorrer no Brasil, Flávio Márcio estava esquecido. A última notícia com repercussão na imprensa foi da peça Tiro ao Alvo, em 1984. Em O Homem Que Viu o Disco Voador, Betti interpreta um bem-sucedido executivo de um banco que vê sua posição social correr risco ao contar à mulher, ao filho e aos amigos ter visto um disco voador. "O disco é uma metáfora. A peça fala dessa divisão entre a vida prática e o sonho, que faz parte da vida de todo mundo", diz Betti.

Agencia Estado,

15 de agosto de 2001 | 18h18

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