Frateschi vai manter política cultural

O novo secretário da Cultura de SãoPaulo, Celso Frateschi, o anjo Ezequiel da novela das 7, "OBeijo do Vampiro", fez sua primeira peça de teatro há 32 anos,no Teatro de Arena. Ex-secretário de Cultura de Santo André (deonde saiu sob um clima meio belicoso), ele era até hoje odiretor do Departamento de Teatros da Prefeitura de São Paulo,posto de onde falou à reportagem. Agência Estado - O sr. pretende mudar radicalmente acondução da política cultural que Marco Aurélio Garcia iniciou? Celso Frateschi - Não. Eu fazia parte da equipe dele porque acreditava no projeto, que era trabalhar um pilar de açõesde socialização da informação cultural, fazer aparecer aprodução oculta, e a construção de um pensamento cultural em SãoPaulo. O projeto é de continuidade. O que muda é o estilo, aforma de conseguir fazer isso. Essa segunda meta, construir um pensamento cultural quer dizer o que exatamente? Criar um mecanismo que possibilite areflexão sobre a questão cultural. O projeto do Colégio de SãoPaulo (ciclo contínuo de seminários na Biblioteca Mário deAndrade) é um deles. Enquanto estive no Departamento de Teatros,organizamos fóruns e debates com essa intenção. Não é só a açãocultural que importa, mas a formulação, a reflexão. Essa práticaé muito tênue em São Paulo. Existe, mas é frágil. O Colégio deSão Paulo propõe ampliar isso. Tem também nossa participação nogrande projeto da Prefeitura, o Ceu, que vai exigir muitotrabalho da secretaria. Serão construídos 25 centros de culturajunto com as unidades e nossa participação será definir edesenvolver essas ações. Como também as ações nas subprefeituras formulando a política cultural. AE - Como o sr. acha que será sua relação com o ministroGilberto Gil? Acredita que será melhor do que as últimas gestõesmunicipais com o governo federal? Frateschi - Evidentemente, eu estou assumindo agora eele também. Ele vai precisar estabelecer no governo federal umarelação melhor do que a que houve até agora com a cultura. Atéagora, o governo retirou o time de campo na área cultural, comoformulador de políticas públicas. Entregou ao mercado. Juntos,nós podemos trabalhar bem. Temos aqui em São Paulo todo oequipamento da Funarte, temos como desenvolver ações juntos.Tenho uma expectativa positiva da gestão Gil. Se ele conseguirestabelecer diálogo com Estados e municípios, dividir tarefas efunções, vai ser uma nova era, vamos criar um sistema que nãoexiste. Que aborde não só a indústria cultural, mas que tambémpense a cultura como instrumento de cidadania. Há quem considere que sua rotina de gravações nanovela da TV Globo pode atrapalhar seu trabalho na secretaria.Isso tem procedência? É claro que eu estou num processo dedesativação lá na Globo. Atualmente, gravo um dia útil porsemana e mais o sábado. Mas estou praticamente todos os dias emSão Paulo. É claro que eu gostaria de estar integralmente aqui,quero estar livre para dedicar-me o tempo todo à secretaria, mastenho esse compromisso, que vai até março. E o palco? O sr. é, fundamentalmente, um ator deteatro. Vai deixar o palco por uns tempos? Antes de mais nada, quero organizar minharelação com a secretaria. A curto prazo é impossível voltar aopalco. Tinha um projeto muito bacana que eu faria, um textoinédito do Pasolini no Ágora, que seria dirigido pelo RobertoLage. Mas, infelizmente, não vou poder fazer. Gostaria de saber sua opinião sobre o projeto daFundação Cinema de São Paulo, que seu antecessor vetou. A postura é que nós não achamos interessanteuma produtora nos moldes da Riofilme para São Paulo. Achamosmais importante haver um conselho. Há um decreto, que está parasair, que propõe um organismo para o cinema. É quase a mesmacoisa que a fundação, mas tem uma relação mais direta com asecretaria. Acho mais interessante e espero que isso resolvaessa ausência de políticas mais claras para o cinema nacidade.Fora a direção do Departamento de Teatros,que o sr. vai deixar, pretende fazer mudanças na equipe? A equipe permanece a mesma e eu ainda nãotenho um nome para o Departamento de Teatro.

Agencia Estado,

03 de janeiro de 2003 | 16h02

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