Frateschi remonta "Antes do Café"

Há dois anos, Celso Frateschi dirigiu o monólogo Antes do Café, de Eugene O´Neill. Era uma boa montagem, com a particularidade de a mesma personagem ter sido interpretada por três atrizes diferentes. A cada noite, elas escolhiam trechos distintos do texto para falar, sem combinação prévia, recurso que imprimia tensão especial ao espetáculo.Agora, Frateschi volta ao texto, numa encenação totalmente diferente da anterior. Com Jerusa Franco e Geraldo Lozzi no elenco, Antes do Café estréia quinta-feira à noite no Ágora. O texto é curto e aparentemente simples, mas, além da qualidade de linguagem e da dimensão poética, reserva algumas surpresas para o espectador. Enquanto prepara o café da manhã, uma mulher fala com o marido, um poeta desempregado. Aos poucos, revela a frustração acumulada num casamento já desgastado que, no entanto, ela tenta salvar.Na montagem anterior, o cenário restringia-se a três chaleiras fumegantes, suspensas no ar. Desta vez, a cenógrafa Sylvia Moreira inspirou-se no pintor Edward Hooper (1882-1967) - e seu universo de pessoas solitárias, diante de portas e janelas olhar desesperançado num horizonte vazio - para criar um cenário realista, porém pleno de sugestões e metáforas."A montagem dá continuidade à pesquisa desenvolvida no Ágora que chamamos de menor grandeza, tanto no cenário quanto no trabalho do atores." Isso se traduz em cena pela ausência dos famosos "gritos e correrias" na atuação e pela utilização de poucos, porém significativos, elementos cênicos. "Pouco não é sinônimo de indigência. Nosso objetivo é buscar a preciosidade de cada elemento."O público passará por um "beco" até estar diante da reduzida habitação do casal, uma sala-cozinha separada por uma cortina do quarto, onde está o marido. Invisível no texto original, Frateschi optou por colocar o personagem em cena. Mudo ele aparece de forma fragmentada, um braço, um pedaço de corpo entrevisto. Metáfora, talvez, de alguém que a mulher desejaria inteiramente seu, mas já não tem mais.Além de Antes do Café, a pesquisa do Ágora pode ser conferida na montagem de Tio Vânia - também dirigida por Frateschi e recomendada pela crítica - que reestréia sábado no Teatro Universitário da USP (Tusp). Antes do Café. De Eugene O´Neill. Direção Celso Frateschi. Duração: 50 minutos. De quinta a sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. Ágora. Rua Rui Barbosa, 672, tel. 284-0290. Até 30/6

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