Fraternal retoma o "Auto da Paixão"

Hoje é um dia "D" para a Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes. Primeiro porque volta ao cartaz com o Auto da Paixão e da Alegria, peça que alcançou o equilíbrio perfeito entre a narrativa épica e a dramatização, segundo o diretor Ednaldo Freire e o dramaturgo Luís Alberto de Abreu, responsáveis pela criação dos nove espetáculos do Projeto de Comédia Popular Brasileira. Também porque os cinco atores da Fraternal começam a gravar entrevistas com 15 famílias migrantes de São Paulo, já que esse é o tema do próximo espetáculo do grupo, Auto do Migrante, com estréia prevista para agosto. "O épico é um ´contar´ ativo que não se reduz à descrição dentro de uma peça de teatro. Possui valor dramático", comenta o dramaturgo, autor de peças da antologia brasileira como Bella Ciao e Ao Terceiro Dia, e das nove peças do Projeto da Fraternal, entre elas O Parturião, Burundanga, O Anel de Magalão e Sacra Folia. Mas foi só a partir de Iepe, de 1998, que os arquétipos da cultura popular foram mesclados à narrativa épica. Depois de Iepe, nasceram peças miscigenadas: Till Eulenspiegel, Stultifera Navis-Nau dos Loucos, Masteclé e Auto da Paixão e da Alegria. "Esta é a peça mais bem equilibrada entre a forma épica e a representação", garante o diretor Ednaldo Freire. "Tomamos muito cuidado para que a encenação não caísse em redundâncias. Quando se conta, a imaginação do público é que completa a cena." O espetáculo fez neste ano curta temporada no Teatro Paulo Eiró, espaço ocupado pela Fraternal desde o início do ano passado, a partir do Projeto Cidadania em Cena. O termo "auto" designa composições dramáticas breves, de caráter religioso ou profano, que podem comportar elementos cômicos e jocosos, segundo Alberto de Abreu. Nessa história, quatro personagens mambembes encontram-se numa praça e decidem contar e representar a paixão de Cristo, do milagre das bodas de Canaã (a transformação da água em vinho), à entrada triunfal em Jerusalém, ecoando na crucificação e ressurreição. A ênfase cômica, característica do repertório de Comédia Popular Brasileira da Fraternal, nasce da imersão sobre a cultura popular da Idade Média colada a tipos contemporâneos brasileiros, representados pela dupla de personagens Matias Cão e João Teité. Em Auto da Paixão, Teité é um paraibano que ao se dizer testemunha ocular dos fatos vividos por Cristo faz seus apartes sobre tudo o que viu e ouviu. Teité é representado por Luti Angelelli. Os atores que o acompanham são Mirtes Nogueira, Edgar Campos e Aiman Hammoud. Essa economia de atores interpretando mais de uma dezena de personagens bíblicos e populares é característica do épico, como frisa Freire. "O épico quebra a ilusão no palco, permitindo a poucos atores representarem vários personagens." A opção pela narrativa épica estimulou Luís Alberto de Abreu a refazer uma peça da primeira fase da Fraternal: Sacra Folia (1994), auto natalino, que está sendo reescrita para um elenco de cinco atores - na versão original, contava com dez atores. Vai estrear em 5 de dezembro próximo. Auto da Paixão e da Alegria - Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. R$ 10,00. Teatro Artur Azevedo. Avenida Paes de Barros, 955, tel. 6605-8007. Até 1/12

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.