Frankfurt terá feira no Brasil

Plano é realizar evento anual a partir de 2013, com expositores de todo o mundo nos segmentos educacional e editorial

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2012 | 07h52

Durante dois anos, a Frankfurter Buchmesse, empresa responsável pela organização da maior feira de livros do mundo - a de Frankfurt - e de conferências em diversos países, estudou o mercado brasileiro para ver se seria viável a realização de uma feira aqui. A ideia não era repetir o modelo alemão, já que o evento, lá, é exclusivamente voltado a profissionais do mercado editorial internacional e aborda todos os aspectos da indústria do livro. Tampouco queria fazer algo como as bienais, cujos objetivos são, basicamente, venda de livros e apresentação do mundo literário para crianças e jovens.

O objetivo era promover o debate entre profissionais da educação, do mercado editorial e de empresas de tecnologia. Foi criada, então, a Contec Brasil - Conferência Internacional de Tecnologia, Cultura e Alfabetização, realizada gratuitamente entre terça-feira e ontem, no Auditório do Ibirapuera.

O projeto será ampliado em 2013 e o modelo estará mais próximo do idealizado pelos alemães. A Contec continua no programa, e será realizada paralelamente a uma sonhada feira, que, assim como as conferências, será focada no livro e na educação. São esperados expositores brasileiros e estrangeiros nas áreas educacional e editorial - sobretudo de livros infantis e juvenis, desenvolvedores de jogos, fornecedores na área de tecnologia, empresas especializadas em crossmedia e em licenciamento de produtos, entre outros. O anúncio da nova feira foi feito ontem, em São Paulo, por Jurgen Boos, presidente, e Marifé Boix García, vice-presidente da Feira de Frankfurt.

Os dois alertam que não se trata de fazer uma versão menor da tradicional feira alemã - a edição deste ano será entre os dias 10 e 14 de outubro. "Não se pode copiar ou fazer uma mini-Frankfurt por causa de seu tamanho e de sua abrangência", diz Boos. A feira ocupa uma área equivalente a 14 campos de futebol, recebe 280 mil profissionais de 129 países e chega a ter pavilhões inteiros dedicados a livros de artes, de gastronomia, de turismo, etc. É lá que as editoras vendem e compram os direitos dos livros que serão publicados internacionalmente nos meses seguintes.

De acordo com Marifé García, são esperedos no evento brasileiro editores, professores, bibliotecários, livreiros, funcionários do governo e quem mais se interessar pela causa. Assim como em Frankfurt, haverá os chamados Hot Spots, espaço oferecido para que os expositores debatam assuntos relacionados a seus produtos.

Leitura digital, edição de livros, aparelhos de leitura e ensino a distância são alguns dos temas em pauta no evento programado para 12 a 16 de junho, no prédio da Bienal, no Parque Ibirapuera. "Aprender deve ser divertido e interativo, mas sem conteúdo isso não é nada", comenta Boos. É essa a linha que o evento deve seguir. Para dar conta de tudo, a empresa, que já tem escritórios em Nova York, Nova Deli, Moscou e Pequim, abrirá um em São Paulo.

Alemanha e Brasil. A aproximação dos dois países se intensificou com a escolha do Brasil como convidado de honra da edição de 2013 da Feira de Frankfurt. Enquanto os brasileiros se organizam por aqui, os alemães se organizam por lá. No ano que vem, eles também serão homenageados na Rússia, na Romênia e aqui. Quem visitar a Bienal do Rio terá a oportunidade de conhecer a produção editorial alemã e conversar com escritores do país.

Antes disso, em outubro, o Brasil começa a aquecer para Frankfurt 2013. Na edição deste ano, representantes do País participarão de três eventos oficiais: a abertura, coletiva de imprensa para a apresentação do logo, slogan e novidades já fechadas e encerramento, quando um escritor brasileiro fará palestra. Nove autores estarão lá este ano. Entre eles, Luiz Ruffato, Cristóvão Tezza, Michel Laub e Andréa Del Fuego. No ano da homenagem, além de escritores irão cantores e artistas.

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