Johannes Eisele/AFP
Johannes Eisele/AFP

Frankfurt: a feira é da argentina

Maior evento do comércio literário mundial tem abertura oficial hoje com homenagem ao país de Jorge Luis Borges

Ubiratan Brasil / FRANKFURT, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2010 | 00h00

Com a presença de Cristina Kirchner, presidente da Argentina, será oficialmente aberta hoje a 62.ª edição da Feira de Livros de Frankfurt, o maior evento do mercado literário do mundo. E a presença não é simbólica: a Argentina é o país convidado deste ano, o que significa ter o privilégio de ocupar um pavilhão nobre, montado à semelhança de um labirinto em homenagem a um de seus maiores nomes, Jorge Luis Borges.

Até domingo, 6.930 exibidores de todo o mundo estarão fazendo negócios, atividade principal da feira. O número, porém, é 5% inferior ao do ano passado - segundo o diretor-geral Juergen Boos, o motivo é que a Argentina trouxe uma delegação menor que a China, nação homenageada em 2009. O Brasil vai ocupar o pavilhão em 2013, com a obrigação de não repetir o constrangimento de 1995, quando o estande nacional foi ocupado por um show de mulatas.

"Embora o próximo ano seja decisivo para montar nossa estratégia, nessa edição já vou oferecer mais títulos nacionais, aproveitando o interesse pela literatura latina", comenta Cassiano Elek Machado, editor da Cosac Naify. Segundo ele, a feira de Frankfurt 2010 será mais importante que o habitual para fechamento de negócios, uma vez que o vulcão islandês Eyjafjallajokull atrapalhou sensivelmente a Feira de Londres, no primeiro semestre. "O resultado é que muitos acordos serão fechados agora."

De fato, como de hábito, o evento alemão é um enorme balcão de negócios. Embora a crise econômica ainda deixe vestígios (editores do leste europeu resolveram não arriscar e deixaram de ir), agências de escritores como a famosa Wylie oferecem um cardápio interessantíssimo, como os novos livros de Martin Amis, Orhan Pamuk e Kiran Desai, além de uma obra de David Bowie, a primeira de uma série criada para explorar seu processo criativo.

Como mineradores, os editores buscam a pepita de ouro, aquele título que poderá estourar mundialmente. E, neste ano, a agência Conville & Walsh promete oferecer um dos grandes hits da temporada: um livro escrito por ex-alunos de Anne Frank. Intitulado The Classmates of Anne Frank (Os Colegas de Anne Frank), o livro traz sete depoimentos, capitaneados pelo organizador, Theo Coster, que também filmou um documentário.

Conteúdo. Já a revolução digital, que dominou a feira do ano passado, continua em pauta, mas, segundo Juergen Boos, o foco estará mais no conteúdo. "Estamos mais interessados em apresentar autores e editores que a tecnologia."

É o que realmente interessa. "A experiência mais avançada que vi de um livro de arte no formato digital lembrava o antigo CD ROM", conta Machado, da Cosac Naify. "O livro em papel, especialmente nesta área, ainda domina e até apresenta inovações."

Ele tem cerca de 60 reuniões agendadas, rotina que marca todos os editores brasileiros presentes à feira. "A diferença é que, neste ano, os encontros com alguns agentes literários serão cruciais no que diz respeito à contratação de direitos digitais para determinados títulos importantes publicados anteriormente", comenta Roberto Feith, da Objetiva/Alfaguara. "Virtualmente, todos os contratos para novos títulos já incluem os direitos digitais, mas alguns antigos, não."

Segundo ele, em muitos casos, os direitos digitais têm sido contratados sem maiores problemas, mas, em outros, os agentes têm se mostrado hesitantes, inseguros ou com exigências descabidas. "Os encontros olho no olho vão ser importantes para esclarecer pontos de vista, negociar e desobstruir esses entendimentos."

Números

6.930 expositores stão em Frankfurt, cifra que é...

5% menor ue a de 2009, ano em que o rasil faturou cerca de...

134 mil dólares em negócios; em 2010, o estande da CBL conta com...

47expositores ue vão oferecer...

1.504 títulos acionais

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