Daniel Déak/Divulgação
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Frank Miller (de novo), Batman e Mulher-Maravilha estrelam o último dia de Comic Con

Autor, homenageado na segunda edição do evento paulistano, retornou ao auditório neste domingo, 6, para falar sobre o novo trabalho com o Homem-Morcego

Pedro Antunes , O Estado de S. Paulo

06 de dezembro de 2015 | 19h24

Uma coisa na Comic Con Experience de 2015 ensinou, por fim, é: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, ainda é tão relevante para jovens leitores de quadrinhos quanto na época na qual foi lançado, em 1986. Um imensurável número de volumes da HQ, de diferentes edições, eram vistos para lá e para cá na São Paulo Expo, local que abriga o evento dedicado a cultura pop, neste domingo, 6.

Muito disso, obviamente, se deve à presença do autor norte-americano, o grande homenageado desta edição – e maior estrela dos quatro dias de convenção. Miller, aos 58 anos, ainda tem a aparência debilitada por uma doença nunca relevada, mas parece ter sido conquistado pela massiva adoração recebida durante sua passagem pelo Brasil.

Inegável reparar a diferença de atitude do autor, costumeiramente rabugento, entre sexta-feira, 4, e domingo, 6. No primeiro painel do segundo dia de CCXP, um tributo a ele, suas respostas eram frias, curtas, balbuciadas de maneira quase incompreensível. A dicção dele, digamos, não melhorou. Mas a cara fechada foi embora.

Em um novo encontro com os fãs, ocorrido no meio da tarde do último dia de feira, dedicado exclusivamente ao quadrinho Dark Knight 3: The Master Race, uma terceira continuação de O Cavaleiro das Trevas, Miller era só sorrisos. Ainda foi curto em algumas poucas respostas, mas enfim parecia a vontade.

O público, é claro, adorou. Assim que o norte-americano foi chamado ao palco pelo também ícone dos quadrinhos Jim Lee, a plateia que lotou o Auditório Cinemark, o principal da feira, entoou o sobrenome de Miller por quase três minutos. “Miller! Miller! Miller”. “Acho que tudo isso é para você”, disse Lee ao recém-chegado ao palco. “Então tá”, brincou Miller que, veja só, fingiu se despedir do palco.

O painel rendeu infinitamente mais. A começar pelas histórias de bastidores de O Cavaleiro das Trevas, que acabou de ganhar uma nova edição brasileira, pela Panini Comics, com uma nova imagem estampada na capa dura. “Eu já sabia qual história gostaria de contar, mas haviam obstáculos no meio do caminho. Levou muito tempo para que o público mudasse de atitude. E para a publisher de Batman percebesse que as pessoas que liam quadrinhos haviam envelhecido também, então não poderíamos continuar fazendo apenas histórias de crianças”, disse Miller.

Miller conta que se surpreendeu com a liberdade que teve na época que preparava a HQ. “Me deram muita liberdade, mesmo. Não apenas com o Batman, mas com a ideia de introduzir um novo Robin, que sequer era um garoto. E, sim, uma garota, a Carrie Kelley. Sem falar nos outros personagens mitológicos do universo DC. Convenhamos, finalmente conseguimos fazer com que o Batman derrotasse o Superman.

As diferenças entre os heróis na HQ, ambos já velhos e cansados, culminam numa batalha épica, na qual Superman é derrotado pela estratégia do Homem-Morcego. “O Superman é muito conservador”, diz Miller. “Enquanto isso, o Batman é um rebelde, um revolucionário”, explica. “Sabe, não sabíamos que o número de vendas seria tão grande assim. Quando eles surgiram, percebemos que estávamos sentados em cima de um vulcão em erupção.”

O Cavaleiro das Trevas foi lançado em quatro edições, nos Estados Unidos, de fevereiro a junho de 1986. A história do Morcegão havia chegado a um final ali, mas a DC o convenceu a voltar ao personagem em O Cavaleiro das Trevas 2, de 2001. Questionado por um fã sobre o motivo pelo qual ele não matou o Batman no fim na primeira HQ (quem leu, sabe como ela acaba), Miller mostrou seu respeito com o personagem. “Eu não poderia matá-lo. Não que não tivesse capacidade de pensar numa trama que tirasse a vida do Batman, eu não tinha o direito de fazê-lo.”

Assim como aconteceu no primeiro painel dedicado a Frank Miller, os fãs foram chamados para algumas perguntas. Bom, a intenção era que eles perguntassem algumas coisas. A maioria, contudo, preferiu usar a oportunidade para agradecer ao autor pelas HQs lançadas por ele ao longo dos anos – principalmente o Cavaleiro das Trevas, é claro – e pedir por um autógrafo. Depois do terceiro pedido, a produção da Comic Con passou a pedir para que as pessoas evitassem autógrafos. Mas não adiantou. Todos aqueles que tiveram a chance de fazer a requisição para Miller ao microfone foram posicionados ao lado do palco, para que ele pudesse assinar o material posteriormente.

Ainda assim, o painel rendeu boas risadas. Um garoto perguntou se ele era amigo de Stan Lee, outro ícone das HQs, criador de grande parte dos heróis mais famosos da Marvel, e quem era o melhor desenhista: Miller ou Lee. “Sim (somos amigos). E é claro que eu (desenho melhor)”, disse Miller, arrancando risadas do público.

Outro rapaz perguntou sobre Batman vs Superman: A Origem da Justiça, filme de Zack Snyder que estreia no ano que vem e trará o embate entre os dois principais heróis da DC, inspirado na obra de Miller. O garoto queria saber se Miller iria assistir ao filme. E a resposta foi o mais Miller possível. “Se eles me convidarem, vou sim.”

Batman Vs Superman, aliás, foi outro grande momento do dia na CCXP. Com um painel inteiramente dedicado ao filme, o evento trouxe o figurinista do longa, Michael Wilkinson, para falar sobre os uniformes dos três personagens principais do longa, Batman, Superman e Mulher-Maravilha. É possível dizer que, entre os três, o mais poderoso herói fica atrás na fila das preferências. Batman e Mulher-Maravilha dividem os louros dessa vitória. Cada imagem deles exibida no telão era acompanhada por uma ovação grande. Fica claro que, pelo menos no gosto daqueles presentes, o Morcego tem uma torcida maior do que o filho de Krypton nessa peleja. Assim como na obra de Miller.


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