Frank Langella chegou a ter pesadelo com Nixon

Numa noite de abril de 2007, quando Frank Langella desempenhava na Broadway o papel de Richard Nixon na peça Frost/Nixon, Oliver Stone procurou o ator no camarim, após o espetáculo. O cineasta não queria apenas cumprimentá-lo pela performance como o ex-presidente dos EUA, um homem que sempre fascinou Stone (a ponto de o diretor rodar a cinebiografia Nixon, em 1995, com Anthony Hopkins, no papel-título). "Stone disse que queria trabalhar comigo. O problema é que ele ainda não sabia no quê", contou Langella, escalado mais de dois anos depois para o elenco de Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme.

Elaine Guerini ENVIADO ESPECIAL CANNES, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

Por esse e outros motivos, o ator não consegue desassociar a figura de Nixon da continuação de Wall Street, em que interpreta Louis Zabel, diretor de um banco de investimentos. "Em 2008, quando eu rodava Frost/Nixon (adaptação cinematográfica da peça, que lhe valeu uma indicação ao Oscar pelo papel), tive um pressentimento horrível durante um sonho com Nixon."

Na manhã seguinte, Langella decidiu resgatar todo o dinheiro que tinha aplicado na Bolsa de Valores. "Foram mais de três horas ao telefone, com os corretores tentando me convencer do contrário, para finalmente conseguir o dinheiro de volta. E meses depois a crise financeira mundial se alastrou, o que curiosamente dá o tom ao novo filme de Stone", disse o ator ao Caderno 2, em entrevista concedida em Cannes, onde Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme teve première mundial.

Louis Zabel é uma das vítimas dos excessos cometidos pelo setor financeiro nas últimas décadas, o que ajudou a desencadear a crise. De repente, uma onda de rumores sugerindo bilhões em dívidas faz as ações da companhia que ele comanda despencarem. E depois que o Banco Central se recusa a socorrer a empresa, Zabel, desmoralizado, se vê obrigado a vendê-la por um valor insignificante a Bretton James (Josh Brolin).

É por isso que o protagonista, Jake Moore (Shia LaBeouf), jovem corretor de Wall Street, se alia a Gordon Gekko (Michael Douglas), recém-saído da prisão. Moore precisa de informações do ex-tubarão da Bolsa para se vingar de quem destruiu Zabel, seu mentor. "Mas o fato de Zabel se dar mal na história não significa que ele era um santo. Ele só foi ultrapassado pelos demais, não sabendo jogar dentro das novas regras do mercado financeiro, onde o esquema de fraude é muito mais complexo", comentou Langella.

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