França recusou nacionalidade a Picasso

Em 1940, em plena 2.ª Guerra Mundial, o pintor Pablo Picasso teve seu pedido de nacionalidade francesa oficialmente rejeitado, depois de consultada sua ficha nos serviços de inteligência franceses. E isso apesar de ter apresentado todos os documentos e testemunhos exigidos, Picasso era considerado um anarquista - um pintor que se dizia "modernista", mas com idéias comunistas. Da ficha constava também que durante a guerra civil espanhola ele chegou a enviar "muito dinheiro" às forças governamentais republicanas, ajudando a financiar a luta contra as tropas do general Francisco Franco, futuro caudilho. Os serviços de informação concluíram o relatório sobre o pintor espanhol afirmando: "Esse estrangeiro não tem nenhum título para obter a nacionalidade e deve ser considerado suspeito, segundo o ponto de vista da 3.ª República."Picasso jamais falou sobre essa primeira recusa a seus amigos e ela só hoje veio à tona, com a redescoberta da ficha completa pela polícia parisiense. Depois de ter sido levada pelos nazistas para Berlim e pelos russos para Moscou no fim da 2.ª Guerra, ela está de volta a Paris. A ficha de Pablo Picasso integra uma exposição de documentos e arquivos da polícia nesse período. O documento encontrava-se numa das 120 pastas relativas a "estrangeiros suspeitos" que viviam na França. As suspeitas de que ele fazia parte do movimento anarquista datam de 1901, após ter abrigado em sua casa o dirigente anarquista Pere Manach. Só depois da libertação da França do jugo nazista em 1944, Picasso obteve, sem nenhum esforço, a nacionalidade francesa. Grande parte de sua obra encontra-se na capital francesa, no Museu Picasso ou nas mãos de seus herdeiros. O corpo de Picasso repousa em Provence, no mausoléu do Castelo de Vauvenargues, ao lado do de sua última mulher, Jacqueline Picasso.

Agencia Estado,

22 de abril de 2004 | 09h41

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