França prepara um 2009 para o Brasil não esquecer

Meta gigantesca promete 500 eventos, 100 a mais do que o País levou para lá, quando Gil era ministro da Cultura

Teresa Ribeiro, do estadao.com.br,

06 de outubro de 2008 | 17h33

Chegou a vez do ano da França no Brasil, conforme a prevista troca de cordialidade cultural para recuperar o vínculo perdido entre os dois países, firmada entre Lula e o então presidente francês Jacques Chirac. Assim, 2005 foi o ano do Brasil na França. Segundo Anne Claire Louyot, curadora do projeto, o francês conhece menos o Brasil do que o contrário, daí o grande sucesso da empreitada na França.   Veja também:  Ouça 'Ta Douleur', com Camille Dalmais, ex-vocalista da banda Nouvelle Vague    A meta é gigantesca: 500 eventos. 100 a mais do que o Brasil levou para lá, quando o ministro da Cultura era Gilberto Gil. Mas ainda faltam muitas confirmações e patrocínio. A idéia não é apresentar o show pelo show, mas promover parcerias que possam ter continuidade, que propiciem uma relação cultural futura entre os dois países. "É o fazer com", diz Anne, que recebeu a imprensa no consulado francês em São Paulo, ao lado do comissário Yves Saint-Geours, para detalhar o projeto.   A proposta é extrapolar o período de 21 de abril a 15 de novembro, além de participar da programação cultural do país, como a SPFW, Virada Cultural, Festival de Inverno de Campos do Jordão, a Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), entre outros. Começa, por exemplo, com um espetáculo pirotécnico do renomado grupo F, na festa da Inconfidência, em Ouro Preto. Simultaneamente haverá um espetáculo na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, abertura oficial do Ano da França no Brasil. Mas o lançamento oficial mesmo acontecerá em dezembro, com a visita do presidente francês Nicolas Sarkozy ao Brasil.   Além dos espetáculos pontuais nas principais capitais do país, haverá programação itinerante, como uma das especialidades francesas, o teatro de rua já conhecido por aqui, o teatro de rua dos grupos Transe Express e o Cirque Ici. Em abril haverá um festival de ópera no Teatro de Manaus e uma turnê da Orquestra dos Champs-Elysées.   Além dos expoentes musicais do país em vários gêneros como a roqueira Camille Dalmais, ex-vocalista da banda Nouvelle Vague, a idéia é criar um centro de músicas negras em Salvador, unindo as influências da música africana que também é forte entre os franceses.   Nas artes, a Pinacoteca receberá uma exposição de Matisse e ao mesmo tempo será ocupada por instalações de jovens artistas influenciados pelo trabalho do artista francês. Haverá no Masp uma mostra de Chagall. Como exemplo de parceria, Anne Claire cita a reunião de técnicos franceses e brasileiros para recuperar uma tela do século 17 do pintor do barroco Nicolas Poussin, pertencente ao acervo do Masp.   No teatro, espera-se a presença do diretor de cinema e teatro Patrice Chéreau e das atrizes como Juliette Binoche e Isabelle Huppert. No cinema, uma parceria com a Cinemateca de SP, nas letras, uma participação na Feira de Livros de Porto Alegre, em novembro, além de um projeto editorial conjunto entre editores franceses e brasileiros para produção de uma coleção do ano da França no Brasil em todos os aspectos em que ocorrerá economia, ciência política, literatura, artes, esportes. Expoentes  da filosofia francesa também devem vir ao país, como Jacques Rancière e Edgar Morin.   O financiamento dessa extensa maratona será feito em parcelas de 25% por conta da França, 25% pelo Brasil e 50% por meio da iniciativa privada e das leis de incentivo cultural de ambos os países. Do lado de cá, a organização do evento é de Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc de São Paulo, e do lado de lá, Yves Saint-Geours, presidente do museu Grand Palais de Paris.

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