França põe a cara na tela

Mostra traz convidados e filmes que expõem diversidade da produção

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h08

Sem a participação da Reserva Cultural nem da Unifrance - a Ancine da França -, começa hoje mais uma edição do Festival Varilux do Cinema Francês, que nos últimos anos tem trazido ao País filmes e convidados para incrementar a presença francesa nas telas do Brasil. O festival deste ano traz filmes de sucesso como Os Intocáveis, de Éric Toledano e Oliver Nakache, que não tem nada a ver com a adaptação da série de TV (por Brian De Palma). Os Intocáveis arrebentou nas bilheterias da França, é considerado um dos maiores êxitos de público da história do cinema no país e tem estreia prevista no Brasil no dia 31.

Vai ser um teste para a obra de Toledano e Nakache. Os filmes franceses que costumam agradar ao público brasileiro são mais autorais. Em matéria de 'blockbusters', o espectador nacional prefere Hollywood, mas Os Intocáveis, Les Intouchables, chega precedido de ótima reputação. O filme baseia-se na história real de Philippe Pozzo di Borgo.

Hoje, em São Paulo, amanhã no Rio e depois em mais 31 cidades brasileiras - o Festival Varilux 2012 traz 17 filmes e convidadas como Nadine Labaki e Astrid Bergès Frisbey. Além de ser uma belíssima mulher, a franco-libanesa Nadine é atriz e diretora de talento, tendo feito grande sucesso, em todo o mundo, com Caramelo. Seu novo longa, que ela vem apresentar no Brasil, chama-se E Agora, Onde Vamos?, e foi premiado pelo júri ecumênico em Cannes, no ano passado.

Astrid não é menos bela - ela foi a sereia de Piratas do Caribe, a série cult com Johnny Depp, mas chega ao País para apresentar A Filha do Pai. O filme adaptado de Marcel Pagnol é dirigido pelo ator Daniel Auteuil, que também faz o pai (le 'puisatier'). Pagnol, na literatura e no cinema, foi o que Jean Tulard, no Dicionário de Cinema, chama de autor completo. Teve tudo - a glória, o dinheiro, o público e os críticos a seus pés. Além das próprias adaptações, seus textos deram origem a filmes como o díptico de Yves Robert - A Glória de Meu Pai e O Castelo de Minha Mãe. A Filha do Pai pertence à mesma vertente, contando, por meio de imagens d'Épinal, uma história de amor tumultuada por convenções sociais.

Outros convidados são a atriz Agathe Bonitzer e o diretor Thierry Binistri de Uma Garrafa no Mar de Gaza, sobre garota francesa que se envolve nos conflitos do Oriente Médio, e Khaled Mouzamar, autor da trilha multicultural de Et Maintenant, on Va Ou? Os filmes incluem Polisse, da atriz e diretora Maïwenn, premiado em Cannes no ano passado, sobre os integrantes de uma unidade da delegacia de Costumes de Paris; O Monge, de Dominik Moll, com Vincent Cassel; A Vida Vai Melhorar, de Cédric Khan, autor de O Tédio, com Charles Berling; e My Way, o Mito Além da Música, de Florent Emilio Siri.

Nos últimos anos, o cinema francês tem encarado o desafio de decifrar, no cinema, seus ídolos musicais - Edith Piaf, Serge Gainsbourg. Claude François, que morreu aos 39 anos, ficou conhecido por sua visceral recriação do hit My Way. O filme usa a canção para fazer a metáfora do caminho percorrido pelo artista, que é interpretado por Jérémie Rénier. O diretor Siri fez Refém, em Hollywood, com Bruce Willis.

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