França lança cruzada contra sexo e violência na TV

Com o apoio das associações de pais de alunos, de donas de casa e de professores, foi desencadeada ontem na França, pela ministra da Família, Ségolène Royal, a cruzada já em curso em outros países da União Européia contra a banalização dos filmes de violência e de sexo na televisão, sem maiores preocupações com relação aos menores. O ato inaugural da campanha foi marcado exatamente pelo encontro da ministra com os responsáveis pelas diversas cadeias de televisão aberta e a cabo do país.Os representantes das emissoras receberam um apelo formal para "assumirem suas responsabilidades em face da educação dos jovens e talvez de seus próprios filhos", evitando a transmissão - nos horários acessíveis às crianças e aos adolescentes - de filmes ou programas contendo cenas de violência sexual, de sexismo, de sugestões a diferentes formas de criminalidade.A outra medida preventiva seria o respeito à norma já estabelecida em lei pela qual as produções proibidas para menores de menos 12 anos e levadas ao ar mais tarde, no final da noite ou pela madrugada, deveriam conter a vinheta bem vísivel com tal alerta."Existem as leis para coibir os abusos, mas o problema é que o Conselho Superior do Audiovisual, encarregado de velar por sua observância, não cumpre seu papel de fiscalização por falta de coragem para enfrentar os interesses em jogo. São interesses talvez legítimos do ponto de vista econômico, mas lesivos à ordem moral, à formação educacional e cívica dos jovens", disse Ségolène.Por sua vez, as associações de pais de alunos, de donas de casa e de professores pedem a interdição pura e simples da difusão, na televisão, de filmes de "extrema violência e de pornografia brutal", citando pesquisas segundo as quais metade das crianças francesas entre 8 e 11 anos já viu películas desse gênero na "telinha". Desse fato talvez decorra, conforme os especialistas, a ocorrência cada vez mais freqüente de transgressões sexuais, com violência entre pré-adolescentes.Além do mais, os dirigentes das entidades engajadas na campanha reclamam do Ministério da Família a introdução de um mecanismo legal permitindo que eles participem, dentro das emissoras, da organização da programação para crianças e adolescentes."É preciso, de fato, que as familias francesas, a exemplo das alemãs, organizem um contrapoder para enfrentar a política permissiva das televisões, politica que contribui na propagação de uma visão degradante da mulher, incita os jovens à violência sexual e a outros atos que levam à criminalidade precoce", sublinhou a ministra, ao justificar os anseios da sociedade por "uma televisão responsável".

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