Divulgação
Divulgação

França descobre o Brasil

Com boas críticas, filmes nacionais fazem a festa em Paris

Luiz Carlos Merten / PARIS, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

Há verdadeira festa brasileira nos cinemas da capital francesa. Mais do que qualquer outra grande cidade do mundo, Paris é a capital da cinefilia. Ontem desembarcaram aqui os filmes que integraram a seleção de duas importantes seções do Festival de Cannes, Un Certain Regard e Quinzaine des Realizateurs. A primeira foi aberta num simpático cinema do Quartier Latin, o Reflets Medicis. A sessão de Trabalhar Cansa, de Marco Dutra e Juliana Rocha, foi aberta em presença da dupla de diretores.

Mesmo sem prêmios - e olhem que o júri de Um Certo Olhar, presidido por Emir Kusturica, revelou-se incapaz de escolher e, entre 20 filmes, premiou quatro, dois com o troféu principal e outros dois com menções -, Trabalhar Cansa despertou a atenção da mais exigente crítica francesa da atualidade. Transfuge é hoje a grande revista de debates intelectuais da França. Antecipando os destaques do 64.º festival, o crítico da revista já havia colocado o filme brasileiro nas nuvens.

Trabalhar Cansa começa e termina bem. Seu problema está no miolo, mas essa história de um marido desempregado cuja mulher monta um negócio e o conduz com mão de ferro, com certeza, vai ser objeto de discussão quando o filme estrear no Brasil.

Os outros filmes brasileiros de Paris são estreias no circuito comercial, em salas selecionadas (e de arte/ensaio). Cahiers du Cinéma, na edição de maio, elogia muito Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho, rebatizado como Play a Song for Me. O crítico de Cahiers lembra que Os Famosos já deixara, no Festival de Biarritz, a lembrança de um filme luminoso e envolvente. Agora, a revista destaca o que há de insólito na obra de Esmir - a paisagem invernal do sul do Brasil, à sombra de Bob Dylan. Conclui que é um filme teen de recorte autoral e exigente.

Sonhos Roubados, de Sandra Werneck, não foi exatamente o que se possa considerar um grande sucesso de público e crítica no Brasil. Na França, é possível que a crítica, pelo menos, vá sorrir para a coautora (com Walter Carvalho) de Cazuza. Rêves Volés, título em francês, ganhou a cotação máxima do crítico de uma revista local, A Nous Paris. Quatro estrelas e a definição de filme "envoutant", na vertente de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, mas com um recorte mais "feminino". Só para terem uma ideia, Um Novo Despertar, de Jodie Foster, com Mel Gibson, que entra em cartaz amanhã no Brasil, também estreou ontem na França. O crítico de A Nous Paris deu cinco estrelas para Sonhos Roubados e só duas para o filme de Jodie.

Na terça, houve uma pré-estreia seguida de debate num cinema (o Accatone) do Quartier Latin, mas hoje Sonhos Roubados já está em salas dos Champs Elysees, dividindo espaço e marquises com o mítico Cinzas do Paraíso, de Terrence Malick, vencedor da Palma deste ano, por A Árvore da Vida. O filme antigo de Malick está saindo em cópias novas. Finalmente, Senna. O personagem é brasileiro, o filme, não. Não importa. Para a imprensa diária da França está sendo uma descoberta. Um deles escreve que os franceses conheciam o mito de Senna por meio de Alain Prost - de quem ele foi o grande rival nas pistas. O Senna de Prost era um louco que arriscava a sua vida e a dos outros. "É bom descobrir uma figura tão intensa e tão apaixonada", escreve um dos novos admiradores do piloto (e do filme). O Brasil e seus personagens fazem o cinema em Paris.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.