França celebra centenário da morte de Júlio Verne

A França celebra nesta quinta-feira o centenário de morte do escritor Júlio Verne, considerado o pai da ficção científica. Inúmeros eventos serão realizados durante o ano no país para homenagear o autor de A Volta ao Mundo em 80 Dias e 20 mil Léguas Submarinas, entre muitos outros sucessos. O Museu da Marinha de Paris apresenta até o final de agosto a exposição Júlio Verne, o Romance do Mar. O escritor era fascinado pelo mar, um elemento constante em seus livros. Até mesmo na obra Viagem ao Centro da Terra o mar está presente.O criador do capitão Nemo e de seu lendário submarino Nautilus teve três barcos, transformados em escritórios/bibliotecas flutuantes, a bordo dos quais fez pesquisas e escreveu algumas de suas obras.Ele viveu de 1865 a 1870 em Crotoy, vilarejo de pescadores na Baía da Somme, próximo à cidade de Amiens, no norte da França. O visitante pode descobrir na exposição do Museu da Marinha maquetes de submarinos, escafandros do século 19 e uma série de objetos tecnológicos que serviram de inspiração para seus livros.O Brasil também faz parte da obra de Júlio Verne, no livro Jangada, escrito em 1881. A ação se passa na Amazônia e os personagens navegam pelo rio Amazonas, enfrentando várias aventuras. O livro inspirou outra exposição no Museu da Marinha de Paris, Mucuripe, que apresenta as fotografias de jangadeiros feitas pelo cearense Francisco Albuquerque em 1942. Júlio Verne conheceu a família real portuguesa e a princesa Isabel pouco antes de escrever essa obra. Apesar de ter levado seus leitores para todos os confins do planeta, do Polo Norte ao Sul, Júlio Verne viajou poucas vezes ao exterior. Ele lia as anotações de viajantes da época e transformava os relatos em "aventuras extraordinárias". Esse é justamente o nome da coleção emblemática da Editora Hetzel, que reúne cerca de 50 obras, como A Volta ao Mundo em 80 Dias, Miguel Strogoff e Cinco Semanas em um Balão.Considerado hoje um dos maiores nomes da literatura francesa e mundial, Júlio Verne morreu frustrado, em 24 de março de 1905, por ter sido julgado um autor menor por críticos da época e até por autores consagrados do século 19.Ele tentou entrar para a Academia Francesa de Letras, mas não conseguiu. Eric Waissenberg, um dos maiores especialistas na vida e na obra de Verne, diz que o escritor inventou o romance geográfico com aspectos científicos e tecnológicos. Mas ficou muito tempo rotulado como um autor infanto-juvenil."A imagem de Júlio Verne como grande escritor somente foi recuperada a partir de 1970, quando foram publicados novamente os textos originais de suas obras", afirma Weissenberg, que integra a Sociedade Júlio Verne, criada nos anos 30 para resgatar a imagem e a memória do escritor.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.