França bate recorde de lançamentos de livros

O leitor francês mais curioso e que se interessar por tudo o que a indústria editorial francesa começou a lançar a partir do dia 17 de agosto, devendo se estender até o final de outubro terá que ler mais de 1.300 livros, 661 romances e672 ensaios, uma média de 20 livros por dia. Essa abundância de títulos constitui uma exceção francesa, segundo os principais editores do país, entre eles, o vice-presidente das edições Fayard, Olivier Bétournê, a editora que deverá publicar um número maior de obras. Setembro e outubro continuam sendo os meses nobres para lançamentos no país, superando a segundatemporada de lançamentos do mês de janeiro. Afinal a indústria da edição é a única que se autoriza a produzir mais do que o mercado absorve normalmente: quanto mais os editores produzem , mais eles vendem, mesmo se nessa época do ano muitas livrarias reconhecem que se sentem asfixiadas pelo grande número de livros, muitas obrigadas a permanecer estocados em suas próprias caixas por falta absoluta de local paraexibi-los. Livrarias como " La Hune", em Saint Germain e "Giberte Jeune" , no Quartier Latin, encontram-se em grande atividadenesse momento, preparando-se para receber um público ávido em leitura na sua volta das férias de verão. Ao contrário de outrossetores da economia, o livro obedece uma estratégia prioritária, a da oferta ainda antes da demanda. Esse ano, os editores anunciam também um novo recorde, o dos romances de autores estreantes, 121 contra 80 apenas no ano passado, umaprogressão de 50 %. É possível que poucos entre os novos autores obtenham grande sucesso, mas se um punhado entre eles se destacar, ootimismo prevalecerá. A expectativa desse ano revela o dinamismo do setor na França, mesmo se entre os lançamentos já setenha uma idéia de quem venderá mais em 2004, entre todos os setores envolvidos. Trata-se do décimo tomo das aventuras de Titeuf, O Casamento de Nadia, uma HQ desenhada por Philippe Chapuis ou Zep, impressa em 2 milhões de exemplares, um sonho detodo editor. Na França, acima disso, só o ultimo Asterix que vendeu 3 milhões de exemplares. Entre os romances, como acontece em todos os anos, muitos serão polêmicos. Esse é o caso do último livro de Yann Moix,cujo título provocará fortes debates: Partouz. O lançamento pela Grasset está previsto para o dia 31 de agosto. Moix fazincursões sobre o pensamento sulfuroso de Mohammed Atta, um dos terroristas do 11 de setembro, chegando mesmo aprovocação suprema quando escreve: "Ele não é apenas um herói, mas muito mais do que isso, um santo". No setor de ensaios, pelo menos uns trinta livros sobre John Kerry e George Bush, aproveitando a proximidade daseleições norte-americanas. Entre eles, A Honra Perdida da América de Graydon Carter , lançamento da Grasset; outrolançamento é o do mexicano Carlos Fuentes que não esconde, como Michael Moore, sua antipatia pelo presidente norte-americano, o que revela sua última obra Contra Bush, lançamento da Gallimarad previsto para o mês de outubro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.