França abre milênio com 455 romances

O ano 2001 começa com a publicação de 455 romances na França. A marca consolida o início do ano (os meses de janeiro e fevereiro) como uma referência para o mercado editorial do país, que tem no mês de setembro (o da "rentrée", após as férias de verão) seu mais destacado momento. Não por acaso, a nova estação literária está sendo chamada de "la rentrée-bis". Dos 455 romances, 288 são franceses e 167 estrangeiros. Também estão chegando às livrarias de Paris 61 ensaios literários. Em setembro, o total de romances foi de 557.Se a literatura francesa é um sucesso comercial, não tem merecido o respeito que já desfrutou, inclusive da crítica do país. O volume elevado de novas obras não tem se traduzido em qualidade literária e em reconhecimento externo. Os melhores autores costumam sair de diferentes países francófonos, como Costa do Marfim (Ahmadou Kourouma) ou Bélgica (Philipe Blasband), mas não, em geral, da França.Também pode acontecer de uma temporada dessas esconder um futuro Prêmio Nobel, como ocorreu com o chinês Gao Xingjian - que, embora escreva na língua de seu país de origem, publica inicialmente em francês, por uma pequena editora.O aumento do número de títulos ainda não fez mudar o fato de a temporada de inverno ser menos "prestigiada". Ela é destinada, sobretudo, aos autores de segundos ou terceiros romances, mas cujos livros são considerados "frágeis" para disputar o interesse do leitor no outono.Também são lançados agora aqueles que têm poucas chances de receber algum prêmio literário (anunciados, em sua grande maioria, em novembro). É o caso, por exemplo, de Philippe Delerm, autor de La Sieste Assassinée.Uma das "atrações" dessa temporada promete ser Ali le Magnifique, assinado por um misterioso Paul Smaïl, pseudônimo de um autor desconhecido. Outros títulos que podem fazer algum sucesso são Aurore (Aurora), de Jean-Paul Enthoven, Double Vie (Vida Dupla), de Pierre Assouline, e Les Femmes de Sa Vie (As Mulheres de Sua Vida), de Anne-Marie Mitterrand.Entre os estrangeiros, o time é mais conhecido. Figuram, entre os autores, Joe Eszterhas, com American Rapsody, Andrea Camilleri, com La Saison de Chasse (A Temporada de Caça), e António Lobo Antunes, com N´Importe quelle Lumière Vaut Mieux que la Nuit Noire (Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura).

Agencia Estado,

02 de janeiro de 2001 | 18h34

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.