Fragmentos do gênio de Orson Welles

A Verdadeira Família

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h11

16H05 NA GLOBO

(Custody). EUA, 2007. Direção de

Nadia Tass, com Rob Morrow, Kay Panabaker, James Denton, Robin

Brule, Sergio Di Zio, Allana Harkin.

Professor viúvo dedica-se à filha, mas guarda um segredo - ela é adotada. Reaparece o pai biológico, que é rico e descortina para a garota um mundo de vantagens materiais. Ela vai ceder à tentação? A se julgar pelo título, a diretora Nadia Tass está mais interessada no afeto que no dinheiro. Reprise, colorido, 87 min.

Hanami - Cerejeiras em Flor

22 H NA CULTURA

(Kirschblüten - Hanami). Alemanha, 2008. Direção de Doris Dörrie, com Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Nadja Uhl.

O horário da Mostra resgata o filme da alemã Doris Dörrie, que também não deixa de falar de afeto e família, mas em outro contexto. Mulher dedica-se ao marido que sofre de doença terminal, mas é ela quem morre primeiro e o viúvo, deslocado perante os filhos, com os quais não tem diálogo, resolve realizar o sonho da ex, viajando ao Japão para conhecer o Monte Fuji. Grande sucesso de público em São Paulo - permaneceu meses em cartaz e virou cult -, o filme da diretora de Dinheiro, Dinheiro, Dinheiro busca outros valores que não os materiais e tenta seduzir o espectador pelo que há de tradicional na cultura japonesa, em oposição ao Ocidente. Reprise, colorido, 127 min.

TV Paga

Soberba

14 H NO TCM

(The Magnificent Ambersons). EUA, 1942. Direção de Orson Welles, com Tim Holt, Joseph Cotten, Dolores Costello, Anne Baxter, Agnes Moorehead, Ray Collins, Richard Bennett.

A história de Booth Tarkington já havia sido filmada quase 20 anos antes, mas a primeira versão nem de longe possui a ousadia da de Welles, que fez o filme aprofundando as pesquisas estéticas de seu precedente Cidadão Kane. Uma família que já foi abastada e poderosa recusa-se a mudar seu estilo de vida, embora as condições econômicas tenham se deteriorado. Para complicar, mãe e filho entram em choque por causa do amante dela. Se em Kane investiu numa narrativa em puzzle, por meio de flash-backs, o grande diretor vale-se aqui de planos-sequências que sublimam o uso da profundidade de campo, para que o espectador possa fazer a própria montagem. Com momentos brilhantes, Soberba permanece um enigma para o cinéfilo. Welles concluiu o filme e viajou ao Brasil para fazer It's All True. A empresa produtora e distribuidora RKO aproveitou sua ausência para remontar o filme e até encomendar a Robert Wise que refizesse algumas cenas. Welles renegou o resultado a vida inteira, mas sua marca permanece intensa na tela. Reprise, preto e branco, 88 min.

Baile Perfumado

18H30 NO CANAL BRASIL

Brasil, 1997. Direção de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, com Duda Mamberti, Luiz Carlos Vasconcelos, Chico Diaz, Aramis Trindade, Giovanna Gold.

No começo da chamada 'Retomada' do cinema brasileiro - o período de ressurgimento, após a crise generalizada da era Collor -, o longa da dupla Ferreira/Caldas teve uma recepção triunfal. Embora exagerada, ela se explica - o filme tem uma musicalidade muito forte (Chico Science e Fred Zero embalam a trilha), que empurra a narrativa tocada segundo regras mínimas. A trama vê o bando de Lampião pelo ângulo do libanês Benjamin Abraão, ligado ao Padre Cícero e que documentou os cangaceiros com sua câmera. Com o distanciamento - já se passaram 15 anos -, pode-se recuperar o que o filme tem de melhor. Não lhe faltam vigor nem beleza visual e a ficha técnica é uma espécie de cartão de apresentação da nova geração que fez o cinema pernambucano (e brasileiro). Cláudio Assis, Marcelo Gomes, Hilton Lacerda participaram da aventura. Reprise, colorido, 93 min.

Natimorto

22 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 2009. Direção de Paulo

Machline, com Lourenço Mutarelli, Simone Spoladore, Betty Goffman.

Apesar das diferenças óbvias, este filme não deixa de se inscrever numa vertente próxima de O Cheiro do Ralo e Estômago (o segundo será exibido às 2 h da madrugada no Canal Brasil). Caça talentos instala cantora lírica num quarto de hotel, à espera de apresentá-la a um renomado maestro. Ele fuma compulsivamente, e começa a desenhar, nas advertências contidas nos maços de cigarros, um futuro para a moça, como se fosse um tarô. Visual intrigante, uma grande atuação de Lourenço Mutarelli - em cujo romance o filme se baseia - e a beleza de Simone Spoladore. Seu nu frontal é um arraso - de beleza e ousadia. Reprise, colorido, 92 min.

Três Macacos

0H25 NO TELECINE CULT

(Uç Maymun/Three Monkeys). Turquia, 2008. Direção de Nuri Bilge Ceylan, com Hatice Aslan, Gürkan Aydin.

Acidente de carro tumultua a vida de quatro pessoas - o aspirante a político, que dirigia o automóvel, seu motorista, a mulher e o filho do casal. Como os macacos da fábula, os personagens não falam, não ouvem, não veem - ou seja, recusam-se a encarar os problemas e o grande diretor turco faz, a partir daí, sua reflexão sobre o estado atual do mundo. Como em todo filme de Ceylan, a natureza participa do drama e lhe confere uma dimensão cósmica. Reprise, colorido, 109 min.

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