Fragmentos de uma bela trajetória sem palavras

Doze anos atrás, quando começaram a apresentar seu teatro gestual no Brasil, o carioca Artur Ribeiro e o paulistano André Curti, à época já radicados na França, viam seus espetáculos serem classificados ora como dança, ora como teatro. "Hoje, se você põe "teatro gestual" no google brasileiro, aparecem várias companhias, o que na Europa já acontece há muito tempo", conta Artur, no Rio para uma temporada de três meses no Centro Cultural Banco do Brasil.

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

A companhia que fundaram, Dos à Deux, premiada e elogiada em festivais como o de Avignon, um dos maiores do mundo, trouxe o espetáculo Fragmentos do Desejo, que conta com os atores Maya Borker e Matías Chebel, e já tem na bagagem mais de 50 apresentações.

No palco, o público se depara com o desejo de um pai por um filho, de um homem cego por um travesti, de quem só conhece a voz, de uma mulher pelo ancião de quem é governanta. O cenário é simples, a iluminação e a trilha sonora, dramáticas.

A plateia sai emocionada e impactada pelo expressivo trabalho de corpo, a linguagem singular que adotam, o forte apelo visual. As poucas palavras ouvidas são as das letras da músicas e de poucas passagens em off - aqui, os gestos falam mais alto. "Tratamos dos conflitos e ambiguidades das relações humanas, da diferença", diz Ribeiro.

Festival. Angolano naturalizado brasileiro, Ribeiro, hoje com 38 anos, e Curti, de 41, se conheceram num festival europeu há 15 anos. Logo se deram conta da afinidade de intenções. A companhia, eles criaram três anos depois. Desde então já percorreram nada menos do que 47 países, com seis espetáculos. Fragmentos, depois do Rio, passa um mês no CCBB de Brasília (28/10 a 21/11).

Ano que vem, a companhia vai inaugurar um casarão com seu nome no bairro da Glória, entre o centro e a zona sul do Rio. A intenção é criar um espaço que sirva para residências artísticas de outros atores/bailarinos, daqui ou vindos de fora. O imóvel, em estilo colonial, tem 200 metros quadrados e está sendo reformado.

"Faremos 12 quartos, sala de ensaios e de espetáculo", explica Ribeiro. "Queremos que seja um centro cultural ligado à arte dos gestos, um lugar onde os artistas possam passar um ou dois meses ensaiando, com seu cenário montado, trabalhando até as 4 da manhã, se quiserem."

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