Fotógrafo expõe no MIS Amazônia cabocla

Nesta segunda-feira, o fotógrafo Pedro Martinelli lança no Museu da Imagem e do Som (MIS) o livro Amazônia: o Povo das Águas, acompanhado pela exposição de mesmo nome. São mais de 300 imagens que retratam o dia-a-dia do caboclo e sua situação social. "Essas pessoas ainda não têm seu devido espaço. Sempre se aborda o lado exótico da Amazônia, a vegetação e os animais, mas ninguém mostra como é viver nas margens do rio", conta o fotógrafo, de 50 anos.Sua paixão pela Amazônia começou em 1974, acompanhando os sertanistas Claúdio e Orlando Villas-Boas para registrar o contato com os índios Kranhacãrone. Hoje, vive seis meses por ano em São Paulo e os outros seis em um barco que transformou em casa para registrar a região amazônica. Apesar de viver em plena floresta, Martinelli não vê perigo nisso. "Acho mais perigoso viver em São Paulo."Mas o fotógrafo ressalta que não está criticando a cidade paulistana. "Preciso viver aqui para entender as diferenças culturais do povo da Amazônia". Como todo bom aventureiro, Martinelli têm muitas histórias para contar. "Um dia meu barco afundou e uma piranha comeu metade do meu dedo", relembra com bom humor. Nas 256 páginas do livro, o fotógrafo mostra também atividades que estão acabando na Amazônia. É o caso da retirada da juta. No momento, só restam duas fábricas em funcionamento. Martinelli também registra a extração do pau-rosa, a pesca do pirarucu e a devastação da floresta. "Poucas pessoas conhecem a cultura da Amazônia", diz. "Queria mostrar que lá existe outro estilo de vida."Segundo Martinelli, o livro possui um caráter didático. Justamente para que qualquer pessoa tenha acesso. "Quero mostrar a verdadeira Amazônia para crianças, jovens e adultos", conclui. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o trabalho do fotógrafo pode acessar sua página na internet: www.pedromartinelli.com.br.Amazônia: o Povo das Águas - Museu da Imagem e do Som - Avenida Europa, 158, tel.: 852-9197. Das 14 às 22 horas, até 23 de julho.

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