Fotógrafo assassinado é homenageado no CCSP

Ontem foi o dia do repórter fotográfico. E, hoje, o Centro Cultural São Paulo inaugura uma exposição em homenagem a um fotojornalista: o La Costa, Luís Antonio da Costa, assassinado no dia 23 de julho enquanto cobria a invasão do terreno da Volkswagen em São Bernardo do Campo, o movimento dos sem-teto. O profissional estava exercendo sua função e foi morto. La Costa tinha 36 anos, era mineiro de Borda da Mata, deixou dois filhos pequenos. Estava em São Bernardo do Campo a serviço da revista Época, como free lancer. Foram seus colegas que pensaram em realizar a exposição, que reúne trabalhos de várias fases. Cada um sugeriu uma foto e todo o material foi organizado pela editora de fotografia da Agência Estado, Mônica Maia, curadora da mostra. Ela conheceu La Costa em 1988, quando ele trabalhava no Estado. Ao todo, são 12 painéis, 42 fotografias. Estão dispostas de forma cronológica, e não por temas. La Costa fotografou de tudo - personalidades (como Bob Dylan, Adriane Galisteu, Jô Soares e Arnaldo Antunes), lugares, cenas urbanas, moda, política, conflitos sociais. As legendas não são extensas, não dão muitos detalhes sobre as imagens porque, como diz a curadora, o que interessava era mostrar "o jeito diferente de La Costa olhar as coisas". La Costa começou sua carreira na década de 80, nos anos 90 morou por nove anos no Japão - foi lá que registrou o terremoto em Kobe - e voltou para o Brasil onde realizou trabalhos para a Época e independentes. Nos últimos tempos estava trabalhando no ramo da moda - há um retrato da modelo Gisele Bündchen - e é com esse tema que se encerra sua mostra. Mas há ainda um painel como homenagem dos colegas. Está lá a fotografia realizada por Paulo Pinto, do Estado, na missa de 7.º dia, na Igreja da Consolação, quando os fotógrafos colocaram suas câmeras no altar. Está também a última foto que La Costa realizou no dia em que morreu. O Último Clique, como intitulou a curadora. Os textos de apresentação da mostra são assinados pelo repórter e amigo de La Costa, José Roberto Alencar, e por Mônica. "La Costa foi condenado por uma foto que não fez. E morreu fazendo uma foto que não soube que fez, o seu último clique, seu último olhar do mundo", escreve ela, definindo-o como um "homem que tombou fazendo o que amava".

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