Fotografias da capital debaixo d'água

No projeto Brasília Submersa, o fotógrafo Beto Barata apresenta um outro olhar sobre a capital federal - a vida da cidade debaixo d"água, no Lago Paranoá. Luiz Alberto Cortes Silva, conhecido como Beto Barata, vive e trabalha em Brasília e quis desbravar um desafio profissional em sua vida, o de fazer fotografias subaquáticas. O resultado direto é um livro, que o fotógrafo acaba de lançar, e uma exposição que apresenta atualmente no Anexo do Museu Nacional da República, na Esplanada dos Ministérios.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2010 | 00h00

"Sou bastante realizado como profissional, mas não estava satisfeito com o tipo de fotografia que estava fazendo", diz Barata, de 41 anos e desde 2001 na Agência Estado - em sua carreira, ainda, teve passagens pelos jornal Correio Braziliense, pela publicação The Brazilians e na agência Eclipse Photo (ambas nos EUA) e pela sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo. A partir de aulas de mergulho na capital federal, onde nasceu e vive, ele fez fotografias, durante um ano, desde agosto de 2009, por quatro cantos do Lago Paranoá - Raia Norte, Raia Sul, barragem e Vila Amaury. "Não fiz o lago inteiro, mas foram cerca de cem mergulhos, geralmente, entre as 10 da manhã e 3 da tarde, aproveitando o período do meio-dia, quando o sol está a pino e se tem luz melhor debaixo d"água", conta.

Arqueólogo. Dessa experiência, Beto Barata não consegue nem contabilizar quantas imagens clicou em suas viagens pelo Paranoá. Encontrou muitos peixes, mas não foram eles o motivo principal que procurava para suas fotografias. "Em alguns momentos, me sentia como um verdadeiro explorador da Grécia antiga porque encontrava vestígios de moradias, de construções, pratos, xícaras e até vasos sanitários", conta o fotógrafo. Esse "trabalho de arqueólogo" aconteceu, principalmente, na Vila Amaury e na área da barragem, em que se podem ver madeiras e restos da construção da capital federal, inaugurada há 50 anos.

Das tantas fotografias que Beto Barata realizou em seus mergulhos, foi difícil fazer a seleção para exibir ao público. No livro Brasília Submersa estão 106 imagens e na exposição homônima, em cartaz no Museu Nacional da República até 5 de novembro, 51 fotos. A empreitada, patrocinada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e realizado pela Photo Agência e pelo museu que faz a mostra, se completa ainda com o blog projetobrasiliasubmersa.blogspot.com.

Brasília Submersa, em livro, tem, além das fotografias de Beto Barata, apresentação do poeta e jornalista Luís Turiba, textos da jornalista Clara Arreguy e projeto gráfico de João Campello. Já a mostra foi feita com curadoria de Eraldo Peres (a partir de pré-edição fotográfica de Marri Nogueira) e cenografia de Luciana Nunes Heringer. A publicação pode ser adquirida tanto no Museu da República quanto por meio do blog.

BRASÍLIA SUBMERSA

Autor: Beto Barata (120 págs., R$ 50). Exposição: Anexo do

Museu Nacional da República, em Brasília. Até 5/11.

Veja galeria de fotos da exposição e do livro no site

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