Fotógrafa Nair Benedicto lança livro 'Vi Ver'

Suas fotografias rodaram o mundo, mostrando um Brasil desconhecido não só por estrangeiros como brasileiros. Revistas como "Paris Match" e "Stern" publicaram essas imagens. Museus americanos, entre eles o MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), compraram suas fotos. Apesar disso, a veterana Nair Benedicto, aos 72 anos, não se desviou da rota que segue desde a época em que era ativista política e ficou presa com a presidente Dilma Rousseff por imposição da ditadura militar. Proibida de trabalhar nas emissoras de TV, ela nem por isso desistiu de registrar as mudanças pelas quais passava o País, desde a chegada das motosserras à Amazônia até o contato com tribos que nunca tinham visto um homem branco, como os araras, que fotografou um mês após serem descobertos.

AE, Agência Estado

25 Outubro 2012 | 09h49

Nair, uma das fundadoras da primeira agência de fotógrafos freelancers do Brasil, a F4, em 1979, foi também pioneira no registro das crianças da Febem em São Paulo nesse mesmo ano. Antes dela, nenhum fotógrafo profissional havia entrado com uma câmera na Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (hoje Fundação Casa). Um ano antes, em 1978, ela registrou no Forró do Zan, baile da comunidade nordestina em São Paulo, a citada imagem que o então curador de fotografia do MoMA, John Szarkowski, comprou - a de um moreno atrevido fincando os dentes no pescoço da parceira.

Quem quiser saber como eram as assembleias dos grevistas do ABC nos anos 1980 (tendo o ex-presidente Lula como líder), terá necessariamente de passar os olhos pelas fotos de Nair. Incontornável como referência de nossa história, ela chega ao século 21 acompanhando o trabalho de grafiteiros em São Paulo, como mostra a capa de seu livro "Vi Ver", que será lançado no sábado, às 21 horas, na Casa da Imagem, ao lado do Pátio do Colégio, no centro de São Paulo. Por dois anos ela acompanhou a deterioração de um grafite de Mauro Neri da Silva na Vila Mariana. Os fragmentos que restaram, reproduzidos na capa, se parecem com as colagens do italiano Alberto Burri (1915-1995) e funcionam como uma metáfora da degradação da urbe, que expõe suas vísceras no trabalho de outros grafiteiros (como Iaco Viana, Nunca e Raquel Brust).

O livro é dividido em duas partes: Amazônias e Desenredos. A primeira trata principalmente do desmatamento comandado por ordem do governo militar para a construção da Transamazônica, até o surgimento das cidades que abrigaram os migrantes. Na segunda parte, as imagens formam um patchwork das ruínas de outras regiões, dos lixões urbanos ao garimpo em Serra Pelada e nas terras dos ianomanis.

As imagens mais chocantes são, no entanto, as dos meninos de rua em São Paulo. Uma delas mostra a "mãe" da Praça da Sé, nos anos 1980, uma adolescente com chupeta na boca rodeada por seus filhos cheiradores de cola, antes de o crack invadir a capital e concluir o serviço de extermínio dessa geração que só conheceu a via pública como casa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

VI VER

Autora: Nair Benedicto. Produção: Brasil Imagem. Realização: FestFoto. Lançamento: sábado, às 21 h, na Casa da Imagem (Rua Roberto Simonsen, 1.36b, Centro. 200 págs., R$ 80).

Mais conteúdo sobre:
fotografia livro

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.