Divulgação
Divulgação

Fotógrafa Lourdes Grobet fala do Paraty em Foco, que começa nesta quarta

Há 30 anos, a mexicana investiga o universo da luta livre em seu país

Simonetta Persichetti - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2013 | 18h12

Nascida no México em 1940, Lourdes Grobet estudou artes plásticas no México e fotografia na Inglaterra. Na Universidade Ibero-americana, teve contato com dois mestres que marcaram para sempre sua produção, a surrealista Kati Horna e o pintor e escultor Mathias Goeritz. Começou como pintora, passou para o design e decidiu ser fotógrafa. Sempre destacou-se por seus trabalhos experimentais. Lourdes Grobet vem para o Paraty em Foco. Do México, falou ao Estado por e-mail.

A senhora afirmou que o ensaio sobre a luta livre mexicana (que vem realizando há 30 anos) ajudou-a a entender a identidade americana e seu país. Poderia falar sobre isso?

Curiosamente, sem ser uma fotógrafa documentarista, resolvi dedicar-me a fazer um registro de algo que é tão importante na cultura mexicana. Fui assistir a uma luta e interessei-me desde o primeiro momento. Com o tempo, fui entrando cada vez mais nesse ambiente, vendo os lutadores, as mulheres lutadoras, a reação do público, comecei a frequentar suas casas, ver como viviam. A luta é muito importante para o México porque está vinculada a uma cultura pré-hispânica. O mexicano foi um povo guerreiro, e as cores, as máscaras, sempre fizeram parte de seus rituais.

Seu ensaio mais recente Equilíbrio y Resistência, que será mostrado no Brasil, foi realizado no Estreito de Bering. Como surgiu essa ideia, do que trata?

Comecei o projeto em 2008, em colaboração com Yolanda Muñoz. As mudanças do mundo atual levaram-me a pensar em algumas teses: estamos em uma época em que migramos sem nos movermos do nosso habitat, as fronteiras se rompem e abrem-se graças ao mundo tecnológico e à cultura que temos que repensar e analisar. O que fizemos com ela? Falamos de Oriente e Ocidente a partir de um olhar europeu, devemos nos situar geograficamente. A primeira viagem para lá foi de ação, a travessia deveria ser feita ao contrario. Daí surgiram vários projetos mostrados em vídeo e instalações. Quando voltei, dei-me conta de que deveria falar sobre aquele lugar e que deveria fazê-lo por meio de um filme que estou finalizando agora.

Seu ensaio é um discurso sobre a incomunicabilidade?

Sim, sendo o Estreito um lugar de passagem e fluxos contínuos, desde a Guerra Fria iniciou-se uma fronteira intransitável.

Que espera da vinda ao Brasil?

O contato com outros povos e culturas é sempre interessante. Espero compartilhar minhas experiências e conhecimentos adquiridos no tempo em que trabalho com fotografia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.