Fórum debate a globalização na cultura brasileira

Discutir o impacto da globalizaçãosobre a cultura brasileira é a proposta do Fórum Alumni deDebates, que começa amanhã, na unidade Santo Amaro, compalestra do professor Dain Borges, ligado ao Departamento deHistória da Univerdade de Chicago. Da programação do fórumtambém fazem parte os jornalistas Daniel Piza (setembro) eMatthew Shirts (novembro) e o professor Antonio Pedro Tota(outubro).A partir do tema A Importação de Conflitos Culturaisao Brasil nos Séculos 19 e 20, Borges discutirácaracterísticas históricas do Brasil, como a importação deinstituições, em relação à globalização. "Estudar aglobalização é algo muito importante para compreendermos osfenômenos que ocorrem sem a influência direta do mercado ou doEstado, como o avanço dos evangélicos e dos espíritas", diz."A religião sofreu grandes alterações do século 19 paracá. Há pouco mais de 100 anos, as igrejas evangélicas vieram aoBrasil trazidas pelas missões protestantes. Nos anos 30, períodoVargas, a Igreja Católica detinha quase o monópolio religioso,cerca de 90% de adeptos, nesse mesmo período, chegou ao Brasil oespiritismo. Hoje não podemos dizer que esse é um paísmajoritariamente católico. Em 25 anos houve uma grande mudança,inclusive com o afastamento do Estado das questões religiosas eé muito difícil prever, mas com certeza mudanças profundasocorrerão nos próximos 25 anos." Para o historiador, as igrejasneopentecostais e religiões afro-brasileiras crescem e ganhamadeptos em todo o mundo.De acordo com Borges, a cultura brasileira semprerecebeu influências estrangeiras. No final do século 19 e iníciodo 20, o grande pólo cultural era Paris. O plano das elitescariocas era transformar as ruas e avenidas no mais parecidopossível aos boulevares franceses, mudança que chegou somenteaté a Rua do Ouvidor. "Mais que apresentar uma vitrine aosinvestidores estrangeiros, significava uma coesão política e umamissão cultural. Um projeto para o Brasil. Hoje podemos traçarum paralelo com os filmes de Hollywood.""Já nos anos 30, o Estado interferia diretamente nacultura, como a Embrafilmes. Dos anos 80 para cá essa estruturaruiu, houve uma diminuição da interferência estatal, dentro efora do País, hoje o sistema não possui um centro orientador.Atualmente, os termos em inglês são utilizados com freqüência,no entanto, não há um projeto de civilização por trás disso,como no período Vargas." Para o historiador, a globalizaçãocaracteriza-se por ser policêntrica, diversos pólos agemmundialmente.Borges defende a idéia do Brasil como um paísantropofágico, que sempre recebeu imigrantes e a influênciaexterna, mas sempre soube metabolizar essas informações etransformar em algo próprio. "A globalização traz um desafio:buscar compreender as mudanças culturais não oficiais, um novosistema de relações, como o aumento do número de evangélicos,por exemplo."Fórum Alumni de Debates. Dain Borges (21/8), DanielPiza (setembro), Antonio Pedro Tota (outubro) e Matthew Shirts(novembro). Quarta-feira, às 19h30. Entrada franca. Reservaspelo tel. 5644-9720 ou pelo e-mail cultural@alumni.org.br.Centro Cultural Alumni. Rua Brasiliense, 65, São Paulo.

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