Flávio Lamenha/Instituto Tomie Ohtake/Divulgação
Flávio Lamenha/Instituto Tomie Ohtake/Divulgação

Formas e cores na vibração de Tomie

Criadora versátil e fundamental da arte brasileira, ela se volta ao círculo que sempre permeou sua trajetória

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 00h00

Tomie Ohtake, nascida em Kyoto, chegou ao Brasil com 22 anos. Ficou, se casou, criou os filhos, arquitetos, Ruy Ohtake e Ricardo Ohtake. No Japão, desenhava desde criança, mas foi só no Brasil, tardiamente, aos 39 anos, que se voltou à pintura. "Na minha família não tinha nenhum artista plástico", conta Tomie, emendando que era a caçula da casa, de seis filhos. Na escola, gostava de desenhar rostos "que inventava ou que via". Quando decidiu que se dedicaria à pintura, anos depois, foram apenas paisagens, que observava da janela de sua casa na Mooca ou nos passeios que fazia por Santana, que apareciam em suas telas figurativas.

Tomie integrou, na década de 1950, o Grupo Seibi em São Paulo - ao lado de Flávio-Shiró, Kaminagai, Manabu Mabe e Tikashi Fukushima, entre outros. Mas a vontade de sintetização, que a levou ao abstracionismo de formas e gestos puros - linhas, círculos, ogivas livres, por exemplo - unida ao desempenho da cor - não à toa, basta dizer o nome do pintor russo naturalizado americano Mark Rothko (1903-1970) para Tomie abrir um sorriso e dizer que tanto o admira - foi o caminho para o "bem simples", pelo qual se "expressa melhor". Como Tomie já disse ao Estado, ela tem uma teoria: "Quando a gente gosta, é porque já está dentro de nós".

A ponto de, na década de 1960, ter realizado uma série famosa, de cerca de 30 "pinturas cegas". "O Mario Pedrosa (crítico) disse: "Tomie, você não quer experimentar pintar umas telas com os olhos fechados?", lembra. "Fiz e quando abri os olhos, uma imagem apareceu e não era uma forma certa. O Mario Pedrosa gostou demais", ela continua.

Plural. A forma redonda faz parte dos trabalhos da versátil Tomie - seja na pintura, na escultura, na gravura, na arte pública - há tempos. Agora, na exposição que ela inaugura amanhã no Instituto Tomie Ohtake, o círculo se condensa em uma série de telas, mas a artista conta que a forma "sintética" está a prevalecer até mesmo em seus novos projetos de obras para espaços públicos na Praia Grande e em Bertioga, ambas cidades do litoral paulista. "Mas estou fazendo esses trabalhos como esculturas só de metal, para brilhar com o sol", afirma Tomie, que já usou por várias vezes o vermelho nas peças monumentais para que elas se destacassem em qualquer tipo de paisagem.

Na nova mostra da artista, que abre as comemorações dos 10 anos do Instituto Tomie Ohtake (leia mais abaixo), o ritmo dos círculos de suas pinturas (todas em tinta acrílica) não se dá apenas na pluralidade do número de telas, mas acontece, tantas vezes, num mesmo quadro - um redondo fagocita o outro; ou se faz por linhas circulares que reverberam como ondas num rio; ou remete ao cósmico, ao orgânico, ao geométrico, ao fogo. De maneira leve e livre, formas e cores vibram e se recolhem. Tomie, nome fundamental da arte brasileira, se colocou ao desafio de criar essa nova série. Ela gostaria que sentíssemos - e sentimos - sua força.              

 

 

Atividades para começar comemorações da instituição

Outros eventos para o Ano 10 do Instituto Tomie Ohtake.

Villa-Lobos Superstar

Na quinta, 20h30, apresentação musical com os grupos Pau Brasil, Ensemble SP e Renato Braz

Nos Jardins do Éden

Dia 7, inauguração de mostra de fotografias de Christian Cravo

Coro da Osesp

Dia 9, concerto com coro de Natal da câmara da orquestra

 

 

TOMIE OHTAKE

PINTURAS RECENTES

Instituto Tomie Ohtake. Av.Brigadeiro Faria Lima, 201, 2245-1900. 11 h/ 20 h (fecha 2ª). Grátis. Até 20/2. Abertura amanhã, 20h, para convidados

 

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