Forman e seu ataque ao racismo

A Creche do Papai

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2012 | 07h51

16 H NA GLOBO

(Daddy Day Care). EUA, 2003. Direção de Steve Carr, com Eddie Murphy, Jeff Garlin, Steve Zahn, Regina King, Kevin Nealon, Anjelica Houston.

Falido, Eddie Murphy não pode pagar a escolinha do filho e monta com amigo creche baseada nas necessidades das crianças. A megera Anjelica Huston, que só pensa em lucro, tenta impedir o projeto. Comédia simpática, e não cínica, sobre um homem que finalmente aprende o que é importante na vida. Reprise, colorido, 93 min.

Spartacus

22 H NA CULTURA

(Spartacus). EUA, 1960. Direção de Stanley Kubrick, com Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons,

Peter Ustinov, Charles Laughton,

John Gavin, Tony Curtis, Nina Foch, Woody Strode.

O épico de Kubrick mostra como o escravo Spartacus vira gladiador e chega a ameaçar o Império Romano, à frente de um movimento popular. O grande Kubrick já havia feito Glória Feita de Sangue com astro Kirk Douglas, mas aqui as relações azedaram. O ator, também produtor, já havia demitido o diretor original - Anthony Mann - e impediu Kubrick de abordar como queria o tema do homossexualismo (na relação de Crassus, Laurence Olivier, com o escravo/poeta Tony Curtis). As cenas de batalhas, porém, são esplêndidas e o tema kubrickiano da dissolução da palavra como elo que socializa e une os homens transparece nos personagens de Douglas, Olivier e Charles Laughton, que se esgrimem por meio de diálogos fortes. Será interessante comparar o filme com o apelo erótico da série de TV com o personagem. As cenas de sexo de Kubrick são as mais belas - e românticas - do autor, cujos filmes buscam outros enfoques do assunto (mesmo em Lolita e De Olhos Bem Fechados). Reprise, colorido, 184 minutos.

Tuareg O Guerreiro do Deserto

23 H NA REDE BRASIL

(Tuareg Il Guerriero Del Deserto). Espanha/Itália/Israel, 1984. Direção de Enzo G. Castellari, com Mark Harmon, Luis Prendes, Paolo Malco.

Prisioneiros de guerra fogem e buscam abrigo numa tribo do deserto. Uma unidade militar chega para destruir tudo, mas não conta com a eficácia de guerreiro - o tuaregue do título - que vai liderar seu povo em combates encarniçados. Em westerns e filmes de guerra, o diretor Castellari criou um imaginário violento que seduz autores como Quentin Tarantino, que se baseou em O Expresso Blindado da SS Nazista para fazer seu Bastardos Inglórios. Reprise, colorido, 101 min.

Diários do Coque

0H30 NA TV BRASIL

Brasil, 2009. Direção de Maria Pessoa.

O bairro do Coque, no Recife, com sua paisagem e o elemen-to humano, é o ponto de parti-da para uma investigação so-bre a cidade como espaço comunitário. Interessante. Reprise, colorido, 52 min.

Sabotagem

4H15 NA REDE BRASIL

(Sabotage). Inglaterra, 1936. Direção de Alfred Hitchcock, com Sylvia Sidney, Oskar Homolka, Desmond Tester.

Lançado no Brasil como O Marido Era o Culpado, o longa de Hitchcock não deve ser confundido com O Sabotador, que o mestre do suspense fez seis anos mais tarde. Sylvia Sidney faz a mulher que suspeita do marido, um gentil gerente de cinema em Londres. Ela acredita que ele seja responsável pelos atos de sabotagem que abalam a capital inglesa. O título brasileiro entrega o desfecho, mas Hitchcock nunca precisou de mistério para fazer suspense. Ele enche o filme de toques divertidos - e originais, inusitados. O curioso é que o diretor baseou-se livremente em O Agente Secreto, de Joseph Conrad, e o seu filme anterior chamou-se... O Agente Secreto (sem nada a ver com o grande escritor). Reprise, preto e branco, 76 min.

TV Paga

A Vida Íntima de Sherlock

Holmes

13H15 NO TELECINE CULT

(The Private Life of Sherlock Holmes). EUA, 1970. Direção de Billy Wilder, com Robert Stephens, Colin Blakely, Genevieve Page.

Na vertente gótica de Rebecca, a Mulher Inesquecível, Wilder transforma seu filme sobre o mestre da dedução criado pelo escritor Conan Doyle no suspense mais hitchcockiano que o próprio Hitchcock não realizou. Três histórias se articulam e totalizam um perfil de Sherlock Holmes - sua dependência da heroína, a ligação com o dr. Watson, os problemas com as mulheres e a capacidade de resolver crimes, aqui, um caso de espionagem durante o reinado de Vitória. Para quem fez Quanto Mais Quente, Melhor, a sugestão de homossexualismo parece tímida, mas os admiradores de Doyle (e Sherlock) ficaram melindrados, mesmo assim. Reprise, colorido, 125 min.

Na Época do Ragtime

22 H NO TELECINE CULT

(Ragtime). EUA, 1980. Direção de

Milos Forman, com James Cagney, Elizabeth McGovern, Howard E. Rollins Jr., Mary Steenburgen, James Olson, Brad Dopurif.

Ator em As Bem-Amadas, de Christophe Honoré, o checo Forman baseou-se em E.L. Doctorow para fazer este filme, um dos maiores ataques de Hollywood ao racismo. A narrativa compõe um amplo mosaico sobre a 'América' em 1906, desde os primórdios do cinema até a luta do afro-americano por justiça. Reprise, colorido, 155 min.

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