Formada na USP, banda subverte a canção

Não é o roteiro mais comum ver nascer da academia grupos de apelo e estética popular. Ainda que carregue a orquestra no título, a Filarmônica de Pasárgada é uma das raras exceções num universo em que os conservatórios e teatros costumam despertar maior interesse. Formada no curso de música erudita da ECA, na USP, a banda aproveitou a convivência nas salas de aula para compartilhar ambições atreladas ao formato da canção. Não era lição de casa, nem prova de fim de semestre: só a vontade de dividir a partitura clássica com representantes da música pop.

EMANUEL BOMFIM , O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2012 | 02h08

Em cena, eles são sete, mas quem sempre deu as cartas foi Marcelo Segreto, compositor, letrista e arranjador do grupo. Desde 2008, ele vem "convencendo" os demais integrantes a interpretar suas composições, segundo o próprio, "meio doidas".

De fato, a Filarmônica de Pasárgada não preza pelo convencionalismo melodioso de uma parcela da MPB. Busca inspiração em escolas mais anárquicas, em especial o tropicalismo e a vanguarda paulistana. "As músicas do Luiz Tatit e do Tom Zé são referências importantes pra gente", explica Segreto, também vocalista e violonista do grupo.

A opção por experimentar, no entanto, nunca foi motivo para saciar anseios artísticos dos mais rebuscados, num exercício meramente autocêntrico. Conquistar o público, emocionar audiência, são desafios levados a sério pelo septeto, mesmo quando o palanque não é dos mais tradicionais. "Há um ano e meio, começamos a tocar no bandejão central da universidade. Foi importante para formar público", ressalta o músico.

Agora, além do show que abrevia a fome dos uspianos na fila do refeitório, a Filarmônica já pode montar sua banquinha de CDs. O Hábito da Força, disco de estreia do grupo, acaba de sair do forno e com toda pompa de artista de renome, com produção de Alê Siqueira e participações de Ná Ozzetti, Luiz Tatit, Lurdez da Luz e Kassin. As 15 músicas foram gravadas em 12 dias no estúdio do Guilherme Arantes, em Salvador.

Em dezembro, Marcelo vai defender seu trabalho de conclusão de curso com este CD, segundo ele, só possível graças ao trabalho de Tatit, que permitiu que a música popular tivesse mais reconhecimento na academia. "Antes, era radical. Tinha até uma orientação mais ligada à vanguarda do erudito."

Ganhar nota máxima, mesmo que bem vinda, não é a sua prioridade. Em seu ideal, assim como a Pasárgada de Bandeira, a Filarmônica logo dará plena estabilidade aos integrantes, deixando as aulas de violão e a dedicação às orquestras como atividades corriqueiras e opcionais.

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