Folk e tristeza

Presente em grande parte das listas de melhores grupos do ano de 2012, a banda Alt-J não foi só objeto de obsessão de um círculo indie deslumbrado pela última novidade do verão. Os rapazes de Leeds, na Inglaterra, puderam desfrutar de boas vendas e alta popularidade com seu disco de estreia, An Awesome Wave - inclusive nos Estados Unidos. A referência, que os colocava como herdeiros diretos do Radiohead, pode ter ajudado nesta projeção virtuosa. A comparação, no entanto, é bastante injusta, ainda que se verifique uma mesma vocação para dar ao rock um tratamento artístico mais hermético. Vencedor este ano do Mercury Prize, um dos prêmios mais relevantes da música britânica, o álbum conjuga o universo geek de seus integrantes com uma melancolia de tempero folk e textura eletrônica. O apreço pelas formas geométricas, representado no nome da banda (que forma um delta, quando digitado num Mac), ganha substância em arranjos econômicos e vocais charmosos de Joe Newman. "Triângulos são minha forma favorita", canta em Tessellate. Nesta equação meticulosa, ainda se percebe um vasto conjunto de variáveis, com interlúdios acústicos, sintetizadores abafados, harmonias gélidas e uma dezena de citações cult. Falsamente pretensioso, o Alt-J parece entortar a canção para colher frutos de um pop enigmático e acessível a ponto de fisgar até o mais desatento dos ouvintes. Mais um nome que 2013 promete projetar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.